Justiça revoga prisão de coronéis e nega pedido para ouvir Taques
Revogação foi concedida durante audiência na 11ª Vara Criminal
A Justiça de Mato Grosso revogou, nesta sexta-feira (16), durante audiência na 11ª Vara Criminal de Cuiabá, a prisão domiciliar dos coronéis Zaqueu Barbosa, Evandro Lesco e Ronelson Barros, suspeitos de envolvimento no esquema de interceptações clandestinas, operado pela Polícia Militar.
O esquema grampeou milhares de pessoas, entre elas jornalistas, políticos de oposição ao atual governo e autoridades.
A revogação foi concedida pela Justiça após pedido formulado pelas defesas dos acusados para que as medidas cautelares impostas ao cabo Gerson Correa Junior, também suspeito de participação no esquema, fossem estendidas aos demais reús.
Gerson deixou a prisão na quarta-feira (14), após decisão da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Zaqueu teve a prisão domiciliar decretada em fevereiro deste ano, após ficar quase nove meses preso. Lesco foi solto por ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em setembro ano passado. Ele ficou quase um mês preso. Já o coronel Barros, teve a prisão domiciliar concedida em agosto de 2017, após ser preso em junho.
Todos respondem, entre outras coisas, por falsidade ideológica e falsificação de documento.
Com a decisão, os três coronéis ficarão apenas sob monitoramento eletrônico e deverão obedecer às mesmas medidas cautelares que foram impostas ao cabo Gerson, tais quais não deixar a região metropolitana de Cuiabá sem informar a Justiça, recolher-se em domicílio diariamente das 20h às 6h e também durante os feriados e finais de semana, assim como não manter contato com os investigados no processo e não frequentar repartições públicas.
Esquema dos grampos
Os militares são acusados de fazerem parte de um esquema de espionagem, entre 2014 e 2015. Milhares de pessoas que não eram suspeitas de terem cometido crimes foram espionadas.
O esquema foi denunciado numa reportagem do Fantástico, em maio do ano passado.
Os grampos foram operados os policiais militares por meio de um fictício Núcleo de Inteligência, numa suposta investigação sobre a participação de policiais em tráfico de drogas. Porém, a polícia pediu à Justiça a autorização para quebrar o sigilo telefônico de pessoas que não tinham nada a ver com essa apuração.