Justiça libera réu para fazer viagem de 7 dias ao Uruguai
Felipe Figueiredo dos Santos fará viagem entre dias 5 e 12 deste mês
Saborear o lendário churrasco na lenha oferecido nos diversos restaurantes de Montevideo, no Uruguai, ainda é um desejo distante para muitos brasileiros – principalmente se adicionarmos a este sonho o não menos famoso dulce de leche (do espanhol doce de leite) produzido nos pampas do extremo sul da Bacia do Prata. A Justiça de Mato Grosso, no entanto, permitiu em que um membro de uma quadrilha que roubava eletrônicos viajasse ao país vizinho no próximo dia 5 de setembro.
Felipe Figueiredo dos Santos é um dos réus de uma ação derivada da operação “Mercatore” – deflagrada pela Polícia Judiciária Civil (PJC) em dezembro de 2015, e que apura a revenda de eletrônicos roubados e revendidos no Shopping Popular, na Capital. Ele chegou a ser preso na ocasião, mas foi solto em fevereiro de 2016.
Cumprindo medidas cautelares, como a proibição de sair de Cuiabá sem autorização, ele pediu à Justiça para viajar a Montevideo, capital do Uruguai, entre os dias 5 e 12 de setembro deste ano. O pedido foi inicialmente rejeitado pelo juiz da Sétima Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, no dia 4 de agosto de 2018.
O réu, no entanto, pediu reconsideração da decisão. O magistrado, então, analisou que o Poder Judiciário “não pode aplicar restrições de locomoção” que não foram definidas na aplicação das medidas cautelares.
Felipe, agora, poderá ir a Montevideo e prestigiar o Churrasco ao Vivo no Mercado del Puerto, ou passar momentos agradáveis com a família no Fun Fun, o centenário bar de tango que contou até mesmo com apresentações de Carlos Gardel – considerado o mais famoso cantor de tango do mundo, morto num acidente aéreo em 1935. “Ante o exposto, defiro o pedido e autorizo o deslocamento do réu Felipe Figueiredo Santos, no período de 05 de setembro a 12 de setembro de 2018, à Montevideo, no Uruguai”, diz trecho da decisão.
Mercatore
Longe da bucólica, e ao mesmo tempo cosmopolita, Montevideo, a PJC aqui de Mato Grosso deflagrou uma operação em dezembro de 2015 que desmantelou uma quadrilha que agia em três níveis de operação – receptação e revenda de eletroeletrônicos roubados, furto e roubo destes aparelhos além da criação de empresas de forma irregular para levantamento de fundos. Investigações da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) ainda em 2014, apontam que o líder da organização criminosa é João dos Santos Filho, e o gerente geral, Odair Coelho Vas, que administravam quatro bancas no Shopping Popular, no Bairro Dom Aquino, na Capital.
Um advogado e uma bancária também auxiliavam a quadrilha. O grupo é investigado por lavagem de dinheiro advindo de práticas criminosas, especialmente roubos e furtos, receptação qualificada de cargas de eletroeletrônicos, estelionato, corrupção de agentes públicos e associação criminosa.
Segundo a investigação, o líder do grupo, João dos Santos Filho, conhecido por “Tom”, definia o direcionamento das ações praticadas pelos integrantes da organização: métodos de lavagem de dinheiro, gerenciamento das atribuições de cada integrante, negociação das cargas roubadas, além de corrupção de servidores públicos.
Na época, as investigações apontaram que o grupo seria responsável por 90% dos roubos em comércio de eletroeletrônicos de Cuiabá. Saiba mais.