Juíza mantém prisão e diz que foragido teve “destaque” em fraudes
Allyson de Souza Figueiredo é acusado de integrar “núcleo duro” da organização criminosa
A juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, manteve a expedição de prisão contra o contador Allyson de Souza Figueiredo, um dos alvos da Operação Crédito Podre.
A decisão é do dia 21 de março, anterior à aposentadoria da magistrada, que deixou o serviço público nesta semana. Allyson Figueiredo está foragido o dia 26 de janeiro, pouco mais de um mês após a operação ter sido deflagrada. Ao manter a custódia, Selma entendeu que ele foi um dos personagens “de destaque” da organização criminosa.
A Crédito Podre apura esquema de fraudes na comercialização interestadual de grãos (milho, algodão, feijão, soja, arroz, milho, sorgo, painço, capim, girassol e niger), com sonegação de mais de R$ 140 milhões em ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços).
Além de Allyson, são réus da ação diversos empresários, comerciantes, contadores e corretores: Wagner Florêncio Pimentel, Rivaldo Alves da Cunha, Paulo Serafim da Silva, Almir Figueiredo, Kamil Costa de Paula, Evandro Teixeira de Rezende, Paulo Pereira da Silva, Diego de Jesus da Conceição, Marcelo Medina, Theo Marlon Medina, Cloves Conceição Silva, Paulo Henrique Alves Ferreira, Jean Carlos Lara, Rinaldo Batista Ferreira Júnior, Rogério Rocha Delmindo, Neusa Lagemann de Campos (de Sorriso), Keila Catarina de Paula e Alysson de Souza Figueiredo.
De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), Allyson Figueiredo compunha o “núcleo duro” da quadrilha na função de gerenciador do esquema.
Ele teria sido o responsável pelo controle e supervisão de todas as emissões de notas fiscais fraudulentas realizadas pela organização criminosa dentro da empresa Ápice Administração e Gestão Empresarial Ltda, pertencente a Wagner Kieling, considerado líder do esquema.
No requerimento, o contador disse que apenas trabalhava na empresa e não sabia de nenhuma irregularidade, pois “somente exercia sua função acreditando estar fazendo a coisa certa”.
Allyson Figueiredo alegou que possui esposa e um filho menor, sendo que sua prisão afetará a sobrevivência de sua família, “visto que é o único responsável pelo sustento”.
“O acusado é pessoa idônea, arrimo de família, pai de um filho menor de idade, possui residência fixa e sempre trabalhou, bem como é tecnicamente primário”.
O contador também defendeu que sua prisão é uma medida “extrema e desproporcional”, que poderia ser substituída por medidas cautelares. Saiba mais aqui.