Juíza manda quebrar sigilo bancário de ré por estelionato
A operação apura esquema de golpes milionários aplicados em empresários por meio do Grupo Soy
A juíza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou a quebra do sigilo bancário de Shirley Aparecida Matsuoka Arrabal, ré na ação penal oriunda da operação Castelo de Areia, que apura esquema de golpes milionários aplicados em empresários por meio do Grupo Soy, que pertencia a ela e ao marido Walter Dias Magalhães Júnior, também réu.
A decisão, que é do último dia 26, atende às solicitações da defesa do ex-vereador João Emanuel Moreira Lima, do irmão e do pai dele, os advogados Lázaro Moreira Lima e Irênio Lima Fernandes, que são acusados também de fazer parte da suposta organização criminosa, que teria causado prejuízos àqueles que buscavam financiamentos internacionais por meio do Grupo Soy.
Conforme os autos, os três réus apontam que os extratos das contas bancárias de Shirley Arrabal podem comprovar que eventuais depósitos de valores realizados pelas vítimas nas contas bancárias dela não foram posteriormente transferidos para suas contas bancárias.
“Por meio da identificação do movimento bancário dos suspeitos, pode ser possível identificar a origem e o destino dos valores movimentados, os comparsas, os intermediários, além de se descortinar como o ganho ilícito foi partilhado entre os envolvidos”, registrou a juíza em sua decisão.
Selma Arruda concedeu o prazo de 30 dias para que os bancos encaminhem as movimentações no período de 1º de janeiro de 2012 a 12 de setembro de 2016. A decisão ocorreu após a ocasião em que Shirley foi ouvida pela magistrada, no dia 12 de julho, e disse que não tinha conhecimento das movimentações financeiras do Grupo Soy. Segundo ela, quem cuidava de tudo era seu marido e que ela apenas assinava documentos e fazia transações bancárias a pedido dele.