Transporte coletivo gratuito garante acesso da população ao GAFFFF Sorriso 2026
Juiz retoma oitivas em audiência sobre grampos ilegais
No processo, são réus cinco militares
O juiz Murillo de Moura Mesquita, da Vara Criminal Militar de Cuiabá, retoma, na tarde desta sexta-feira (2), a audiência na ação penal que apura um esquema de interceptações telefônicas ilegais, praticadas na modalidade barriga de aluguel, contra políticos de oposição no atual governo, advogados, jornalistas, profissionais liberais, entre outros.
Durante a manhã, foram ouvidos militares que de alguma forma participaram das interceptações, que tinham como objetivo original desmantelar uma quadrilha de tráfico de drogas, que contavam com o apoio de policiais militares corruptos.
No processo, são réus 5 militares: Os coronéis Zaqueu Barbosa, Evandro Alexandre Ferraz Lesco, Ronelson Jorge de Barros, o tenente-coronel Januário Antônio Batista e o cabo Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior.
Após explanar sobre o caso do cabo Gerson em seu parecer, o promotor se pronuncia favorável a concessão de prisão domiciliar com monitoração eletrônica ao militar. O juiz suspende a sessão por 40 minutos. Após esse intervalo ele irá proferir seu voto.
O promotor de Justiça Allan Sidney de Souza emite seu parecer fazendo menção à isonomia e lembrando que o que pesou no pedido de prisão do cabo Gerson foi o fato dele ter dito que iria "arregaçar" o promotor Mauro Zaque, que foi quem denunciou o escândalo da grampolândia. Segundo ele, após as oitivas de testemunhas, ficou esclarecido esse ponto e afirmando que não existem mais os fundamentos para mantê-lo preso. "Sinto aí um cheirinho de excesso", diz em relação aos 9 meses que cabo está preso.
O advogado Thiago Abreu, que faz a defesa do cabo Gerson Corrêa, pede que seu cliente tenha sua prisão preventiva substituída para domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, argumentando que todos os demais réus já progrediram de pena e também porque todas as testemunhas de acusação já foram ouvidas. Ele destaca ainda que Gerson responde a menos crimes do que outros réus que obtiveram benefícios antes dele.
A próxima testemunha é o major Valdinei Alencar Taques Júnior, que é interrogado pela defesa do coronel Zaqueu. Em 2013, ele conta que participou do núcleo de inteligência da PM, na gerência de análise de inteligência, onde ele coletava e analisava dados de investigação de contra-inteligência, que servia para suprir o trabalho da Corregedoria da PM.
Ele destaca que naquele período, entre 2013 e 2015, quando atuou nesse setor, havia um projeto de aproximar a reação entre a inteligência e a Corregedoria da PM porque havia necessidade de inserir interceptações telefônicas no rol de provas nos pocessos de correição. Ele afirma que foi nesse contexto que surgiu um convênio com o Grupo de Atuaçã Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que possui licença para usar o sistema Guardião.
Valdinei é questionado sobre a possibilidade das escutas contra policiais serem realizadas fora do comando Geral da PM, testemunha explica que isso era plausível por conta da segurança das informações, evitando que mais pessoas tivessem acesso às escutas, mas negou que isso tenha sido uma ideia de Zaqueu Barbosa, mas sim uma orientação do Ministério da Justiça.
A oitiva de Valdinei Oiveira é encerrada
Valdinei responde a uma série de questionamentos sobre o funcionamento do setor de inteligência que ele gerenciava. Por exemplo, ele explica que os relatórios de inteligência eram sempre assinados pelo analista e chancelados pelo gerente. Destaca ainda que o cabo Gerson Corrêa não atuou no mesmo setor em que ele e também que fac-símiles que chegaram a ser publicados na imprensa como sendo da central de escutas telefônicas clandestinas não seguiam os padrões da PM.
A audiência é iniciada com a oitiva do coronel da Polícia Militar José Nildo Oliveira, que relata que participou de uma reunião chamada pelos coronéis Zaqueu Barbosa e Januário Batista, que procurava indicação de algum PM com conhecimento na área de informática e ele indicou um policial do Bope, de sobrenome Dorileo. A testemunha conta que na época, não ficou sabendo para onde Dorileo seria designado, apenas de que seria para um projeto de "entregar uma Polícia melhor", conforme Zaqueu lhe contou. A oitiva do militar é encerrada.