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Juiz mantém processo da grampolândia e marca novo interrogatório do cabo Gerson
Por outro lado, foi negado o pedido para revogar as cautelares impostas ao policial
A pedido da defesa, o cabo da Polícia Militar, Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior, será reinterrogado no dia 27 deste mês no processo criminal onde é réu juntamente com outros 4 militares, por causa da central de escutas telefônicas clandestinas conhecida como “grampolândia pantaneira”. O juiz Murilo de Moura Mesquita, titular da 11ª Vara da Justiça Militar e responsável pelo caso, acolheu o pedido formulado pelo advogado Neymam Augusto Monteiro, defensor de Gerson, e agendou nova audiência a ser realizada às 13h30.
Por outro lado, ele negou pedido para revogar as cautelares impostas ao policial e também para suspender a ação penal ou decretar sigilo, conforme foi almejado pela defesa do réu sob argumento de que seria para "evitar que o andamento processual interfira no pleito eleitoral que se aproxima". O magistrado apontou falta de amparo legal para acolher tais pedidos.
Em seu interrogatório, que começou na madrugada do dia 28 de julho e se estendeu por quase 6 horas, Gerson confessou que fez parte da central de escutas clandestinas e afirmou que tudo começou no final de julho de 2014 antes, da campanha eleitoral, planejado, segundo ele, pelo advogado Paulo Taques, primo do governador Pedro Taques (PSDB), que depois veio a ser o secretário chefe da Casa Civil no governo do tucano. Ele só deixou o cargo em 11 de maio de 2017 quando o escândalo estava prestes ser exibido em rede nacional após denúncia feita pelo promotor de Justiça e ex-secretário estadual de Segurança, Mauro Zaque.
Gerson afirmou ainda que o governador tinha conhecimento de tudo e teria se beneficiado em sua campanha vitoriosa ao governo do Estado, com informações obtidas por meio das interceptações telefônicas clandestinas. O policial, ao longo do depoimento, revelou detalhes sobre o funcionamento da central de escutas, até então, inéditos. Disse por exemplo, que foi Paulo Taques que financiou o esquema e que o hoje ex-secretário de Estado entregou em suas mãos a quantia de R$ 50 mil para comprar os equipamentos necessários.
Após o depoimento, que foi contestado e desqualificado pelos demais réus, a exemplo do coronel Zaqueu Barbosa, ex-comandante geral da Polícia Militar e também pelas defesas de Pedro e Paulo Taques, o cabo Gerson Corrêa pediu para ser ouvido novamente para esclarecer outros pontos de seu depoimento.
A defesa também solicitou que o governador Pedro Taques e seu primo Paulo Taques sejam ouvidos como testemunhas. Porém, tal pedido, formulado no dia 3 deste mês, já foi negado pelo magistrado. Ele ressaltou que tal pleito já foi apreciado e rejeitado pelo Conselho de Especial de Justiça em sessões instrutórias realizadas em 2 de março e 16 de março deste ano.
Por sua vez, o juiz Murilo Mesquita acatou o pedido nesta segunda-feira (20) quando ao novo depoimento e agendou a data e horário. “Com efeito, diante da complexidade da causa e a necessidade de se esclarecer exaustivamente os fatos, bem como as condutas dos acusados, assegurando a ampla defesa ao réu solicitante e em homenagem à busca da verdade real, defiro o pedido da defesa”, despachou o magistrado ao designo o novo interrogatório do cabo Gerson.
Os demais réus no processo, os coronéis Zaqueu Barbosa, Evandro Ferraz Lesco, Ronelson Jorge de Barros e ainda o tenente-coronel Januário Antônio Batista, também serão intimados para estarem presentes na audiência. Todos eles foram interrogados no dia 27 de julho deste ano e negaram ter conhecimento ou participação no esquema.
No entanto, a confissão do cabo Gerson colocou em xeque as versões de todos eles, em especial do coronel Zaqueu Barbosa, pois Gerson afirmou que recebia ordens diretamente do então comandante da Polícia Militar para participar das interceptações e produzir relatórios que depois deveriam ser entregues a Paulo Taques.