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Mortos em confronto durante a Operação Acqua Ilícita, “Farrame” e “Gilmarzinho” ocupavam funções estratégicas no Comando Vermelho em Mato Grosso
Os criminosos Fábio Júnior Batista Pires, conhecido como “Farrame”, e Gilmar Machado da Costa, o “Gilmarzinho”, foram mortos em confronto com a Polícia Militar na manhã desta quinta-feira (20), durante o cumprimento de mandados da Operação Acqua Ilícita, em Cuiabá. Ambos exerciam papéis estratégicos no esquema de extorsão e lavagem de dinheiro comandado pela facção Comando Vermelho (CVMT) no estado.
De acordo com o tenente-coronel Frederico Lopes, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os dois atuavam diretamente na coação e cooptação de comerciantes do setor de água mineral, determinando quais empresas poderiam operar e impondo taxas irregulares para permitir a circulação e entrega dos produtos.
“Farrame organizava as cobranças dentro das distribuidoras. Já Gilmarzinho era um braço operacional, que chegou a assumir o controle direto de algumas empresas em nome da facção. Trabalharam com coação, com o claro objetivo de obter respaldo social e poder econômico dentro da comunidade”, explicou Lopes, em entrevista coletiva.
A Operação Acqua Ilícita foi deflagrada para desarticular o esquema criminoso que vinha inflacionando artificialmente o preço da água mineral no mercado local, prejudicando comerciantes e consumidores. Ao todo, foram expedidos 55 mandados de busca e apreensão, 12 de prisão, além do sequestro de 33 veículos e o bloqueio de 42 contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas. As ações ocorreram em Cuiabá, Várzea Grande, Nobres e Sinop.
As investigações, conduzidas com apoio do Serviço de Inteligência da Polícia Militar, apontam que a facção cobrava altos valores para garantir “liberdade” aos empresários, dominando a distribuição e criando um mercado paralelo controlado por criminosos.
O histórico de envolvimento com o crime não impediu que Gilmarzinho, condenado a 6 anos e 9 meses de prisão por tráfico de drogas, fosse homenageado em 2024 pela Câmara de Vereadores de Cuiabá, em uma cerimônia proposta pelo vereador Jefferson Siqueira (PSD), que também é pastor evangélico.
Já Farrame também exercia uma função interna de confiança dentro da facção, sendo responsável pela captação de novos membros, com ligação direta ao líder do CV em Mato Grosso, Sandro Silva Rabelo, o “Sandro Louco”. Cabia a ele realizar o ‘batismo’ dos iniciantes e a cobrança das mensalidades que sustentavam financeiramente a organização criminosa.
A operação, segundo o Gaeco, é um passo decisivo no enfraquecimento da estrutura do Comando Vermelho no estado e no restabelecimento da ordem e da segurança no setor comercial.