Grilagem afeta 200 mil hectares em Mato Grosso, afirma Ibama
A motivação dos crimes seria a extração de recursos naturais da área
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) estima que cerca de 200 mil hectares de florestas nativas sejam atingidas de alguma forma por grilagem no Noroeste de Mato Grosso, região onde fica Colniza, município onde nove trabalhadores rurais foram executados em abril passado. A motivação dos crimes seria a extração de recursos naturais da área.
De acordo com o Ibama, cerca de 90% dessa área corresponde a propriedades tituladas, invadidas recentemente ou em algum estágio do processo de reintegração de posse. No último dia 17 de maio, uma fiscalização realizada por agentes do Ibama na gleba Rio Preto, localizada na Fazenda Santa Rosa, resultou na apreensão de dois caminhões, um trator de esteira e 32,3 metros cúbicos de madeira "in natura".
De acordo com o Ibama, a propriedade possui cerca de 1,3 mil hectares de floresta nativa e foi invadida em 2015. Desde então, tem sido alvo de extração ilegal de madeira, desmatamento e grilagem para conversão das áreas em pasto. Da área, os infratores retiram toras de valor comercial, plantam capim e comercializam cada alqueire (2,4 hectares) por até R$ 15 mil, sem possuir título de propriedade.
O chefe da Unidade do Ibama em Juína (MT), Evandro Selva, avalia que a falta de informações sobre a documentação necessária para a venda dos terrenos, associada à expectativa de regularização, favorecem a ilegalidade. Em uma das propriedades fiscalizadas a área desmatada chega a 1,5 mil hectares.
A grilagem de terras (tituladas ou não) na região noroeste do estado do Mato Grosso é um dos fatores que impulsionam o desmatamento ilegal, aponta a superintendente do Ibama em Mato Grosso, Lívia Martins, por meio da assessoria de imprensa. Toda a madeira apreendida pelo Ibama foi doada à prefeitura de Juína.
No Estado, conforme dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), 272 famílias foram afetadas por pistoleiros, em 2016. Ao todo, 40.028 estão envolvidas em conflitos agrários violentos, entre mulheres, homens e crianças que receberam e muitas delas ainda recebem ameaças.
Denúncia
No último dia 15 de maio, o Ministério Público do Estado denunciou à Justiça cinco acusados de participar da chacina que resultou na morte de nove trabalhadores rurais na gleba Taquaruçu do Norte, em Colniza. O crime ocorreu no dia 19 de abril deste ano. Eles foram denunciados por homicídio triplamente qualificado (mediante pagamento, tortura e emboscada).
Segundo o MP, foram denunciados o empresário do ramo madeireiro Valdir Joao de Souza, 41 anos, apontado como mandante do crime, além do ex-sargento da Polícia Militar de Rondônia, Moisés Ferreira de Souza, Ronaldo Dalmoneck, Pedro Ramos Nogueira e Paulo Neves Nogueira - sendo esses dois últimos tio e sobrinho.
Na denúncia, o MP afirma que os acusados integram um grupo de extermínio denominado “os encapuzados”, conhecidos na região como matadores de aluguel, sendo contratados para ameaçar e executar pessoas.
A motivação dos crimes seria a extração de recursos naturais da área. Com a morte das vítimas, a intenção do mandante era assustar os moradores e expulsá-los das terras, para que ele pudesse, futuramente, ocupá-las. No dia do atentado, os denunciados foram reconhecidos pelas testemunhas, conforme o MP.