Governo paga visita de políticos e parentes ao Vaticano
O grupo é chefiado pela ministra-chefe da Advocacia-Geral da União, Grace Mendonça
Com despesas pagas pelos cofres públicos, uma caravana de políticos e familiares embarcou na noite de ontem, 11, em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para participar no Vaticano da missa de canonização de religiosos potiguares mortos no século XVII nas disputas entre holandeses e portugueses pelo controle do Nordeste. O grupo é chefiado pela ministra-chefe da Advocacia-Geral da União, Grace Mendonça, e formado por deputados da base aliada. O ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral) havia sido escalado para representar o presidente Michel Temer na cerimônia celebrada pelo papa Francisco, mas desistiu na última hora.
Procurada para informar sobre os custos da viagem, a assessoria de imprensa do Planalto recomendou que a reportagem procurasse a Secretaria-Geral. A pasta do ministro Moreira Franco orientou que o jornal solicitasse a informação ao Ministério das Relações Exteriores e à FAB. Por sua vez, a FAB destacou que “o pedido de missão é da Presidência, que tem todas as informações de custos e passageiros”. A assessoria do Itamaraty informou que só ajudou na organização da viagem.
A reportagem do Estadão/Broadcast teve acesso a uma lista de 26 passageiros. Nessa relação prévia, consta que os deputados Zenaide Maia (PP-RN), Paulo Abi Ackel (PSDB-MT), Bilac Pinto (PR-MG) e Nilson Leitão (PSDB-MT) levariam suas mulheres.
Caravanas para o Vaticano bancadas pelos cofres públicos sempre causaram polêmica. Em 2013, a então presidente Dilma Rousseff gastou R$ 324 mil para acompanhar, juntamente com quatro ministros e assessores, a primeira missa do papa Francisco. A oposição a Dilma chamou a viagem de “mordomia”. Antes, em 2006, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou 13 pessoas, para o funeral do papa João Paulo II. O custo dessa viagem não foi divulgado na época.