Governador fará reunião e não garante permanência de Avalone
Pedro Taques afirmou, nesta sexta-feira, que operação não tem “nada a ver” com sua gestão
O governador Pedro Taques (PSDB) afirmou que deverá definir se o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Carlos Avalone, continua à frente da Pasta.
Avalone está entre os alvos da Operação Malebolge, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta (14).
Por determinação do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos mandados de busca e apreensão em sua residência e na própria Secretaria.
Avalone é acusado de pagar propina ao ex-secretário de Estado, Eder Moraes, por meio da empresa Três Irmãos, de propriedade sua e de seus irmãos Carlos e Marcelo Avalone.
“Vamos ter uma conversa hoje e aí decidiremos”, disse Taques, ao ser questionado sobre a permanência de Avalone em seu staff.
Apesar da indefinição em relação ao assunto, Taques afirmou que os fatos apurados pela PF durante a operação não guardam qualquer relação com o Governo do Estado.
“Isso não mancha [o Governo] absolutamente em nada. Nosso Governo não tem nada a ver com isso aí. Todo mundo sabe”, afirmou o governador.
“Ele não era secretário [à época dos fatos] e vai se defender”, concluiu Taques.
Avalone assumiu o comando da Sedec em julho deste ano, em substituição ao então secretário Ricardo Tomczyk, que pediu demissão para retornar ao comando das suas empresas.
Buscas
Os mandados de busca e apreensão tiveram como base as delações do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), de seus familiares e de seu assessor, homologadas no mês passado.
Um dos fatos que motivaram a medida, solicitada pelo Ministério Público Federal (MPF), foi a suposta tentativa do ex-governador e atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e do próprio Silval em “comprar”, por R$ 6 milhões, a retratação do ex-secretário de Estado Eder Moraes, que havia prestado depoimento incriminando a dupla, em 2014.
“Éder de Moraes Dias recebeu os recursos através do empresário Celson Luiz Duarte Bezerra, com envolvimento, na intermediação do repasse, da empresa Três Irmãos Engenharia, de propriedade dos irmãos Carlos e Marcelo Avalone, que emitiram cheques com valores ‘oriundos de retornos devidos pelos contatos administrativos vinculados à Secretaria de Infraestrutura e Programa de Obras Petrobras’”, diz trecho da decisão.
Conforme Janot, depois dos pagamentos recebidos de Silval e Maggi, Eder Moraes “efetivamente veio a se retratar dos depoimentos em que os incriminava”.