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Funcionários do 'Rei do Algodão' acusam seguranças de Eraí Maggi por agressões
Grupo JPupin entrou em recuperação judicial em setembro de 2015
Três funcionários do Grupo JPupin, do empresário José Pupin, conhecido por "Rei do Algodão" registraram 2 boletins de ocorrências por agressões e ameaças sofridas, segundo eles, por seguranças do Grupo Bom Futuro, do pecuarista Eraí Maggi (PP), que é primo do ex-governador de Mato Grosso, atualmente ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP).
Fatos ocorreram em 13 de setembro e 28 de outubro deste ano, na fazenda Marabá, antiga propriedade Talismã, em Campo Verde (131 km ao sul de Cuiabá). Área é disputada judicialmente pelos grupos, chegou a ser leiloada e arrematada por Eraí, por R$ 50 milhões, mas recorrida por Pupin, que pediu anulação com argumento de que o procedimento apresentava irregularidades.
Desde então, vítimas denunciam que estão sendo ameaçadas por seguranças contratados por Eraí, para que não tenham acesso a vila que fica na fazenda.
Último registro judicial data de 25 de outubro, em que o desembargador Carlos Henrique Abraão, do Tribunal de São Paulo, acolheu em acórdão pedido de Pupin e anulou o leilão.
Primeiro caso registrado de agressão e ameaça ocorreu em 13 de setembro, quando o funcionário do Grupo JPupin, A.B.K, 33, devidamente uniformizado, foi humilhado e ameaçado depois de tirar fotografias da ação truculento de seguranças armados de empresa privada.
Vítima alegou em depoimento, que seguranças atiraram no chão e para cima, para que entregasse o celular depois de registrar por meio de vídeos e fotografias, ação de retirada forçada de grupo de sem-terras na área.
Seguranças teriam quebrado cerca da fazenda e acionado a polícia, que encaminhou para delegacia vários sem-terras, sob alegação de que estariam mantendo reféns, o que conforme a vítima, é inverídico.
Depois de fotografar a ação dos seguranças contratados pelo Grupo Bom Futuro, funcionário da JPupin foi obrigado a se ajoelhar e passou a ser chutado e ameaçado de morte para que entregasse o aparelho celular. Depois de muita humilhação, segundo a vítima, e fazer vídeo pedindo perdão aos seguranças, foi liberado.
Segundo fato, em 28 de outubro, envolveu 9 seguranças e duas vítimas. Relatam os funcionários de 33 e 34 anos, que realizavam trabalho de manutenção de energia para famílias que residem na área, quando foram expulsos, agredidos e ameaçados.
Em ambos os casos, as vítimas procuraram a delegacia de Polícia Civil da cidade e registraram os fatos. A reportagem tentou contato com a assessoria de imprensa do Grupo Bom Futuro, porém, não conseguiu retorno até a publicação.
Disputa de área
Grupo JPupin entrou em recuperação judicial em setembro de 2015, por dívida com o banco Santander e pediu leilão do imóvel, autorizado pela Justiça de São Paulo.
Em novembro de 2016, outra fazenda do grupo avaliada em R$ 73 milhões, em Santo Antônio do Leverger, foi liberada para leilão com lance inicial de R$ 44,1 milhões para quitar empréstimos contraídos junto ao Banco Rabobank International Brasil.