GAFFFF Sorriso começa dia 23 e reunirá governadores de todo o Brasil
Fraude em terreno desviou R$ 21 milhões, diz Nadaf
Ex-chefe da Casa Civil afirma que Estado pagou mais de R$ 33 milhões pelo imóvel
Uma grande quantia da suposta propina de R$ 53 milhões paga pelo ex-governador Silval Barbosa aos 5 conselheiros afastados do Tribunal de Contas do Estado (TCE) – Antônio Joaquim, José Carlos Novelli, Sérgio Ricardo, Valter Albano e Waldir Teis – saiu da desapropriação fraudulenta do bairro Jardim Renascer, em Cuiabá, conforme o ex-secretário chefe da Casa Civil e hoje delator, Pedro Nadaf.
Segundo ele, o Estado realizou 2 pagamentos à empresa Valle Negócios Imobiliários Ltda, nos dias 24 de novembro 30 de dezembro de 2014, sendo as parcelas no valor de R$ 13 milhões e R$ 20,2 milhões, respectivamente. O pagamento que a imobiliária teria recebido, de fato, seria de R$ 12 milhões, sobrando mais de R$ 21,2 milhões para a fraude, que é apurada pelo Ministério Público Estadual (MPE), de forma sigilosa.
O caso também é apurado em uma petição sigilosa no Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e autorizada pelo ministro Luiz Fux.
Nadaf contou que recebia os cheques referentes aos “retornos” de Reinaldo de Toledo Maluli, chamado por Nadaf de “Doutor Maluli”, representante da imobiliária dona do imóvel. Tão logo recebia tais cheques de Maluli, Pedro Nadaf os repassava para o então secretário de Estado de Planejamento, Arnaldo Alves que, segundo ele, era a pessoa de confiança de Silval Barbosa responsável por fazer, pessoalmente, os pagamentos aos conselheiros do TCE-MT que participavam do esquema com o governador.
Conforme Nadaf, Arnaldo entregava o dinheiro em mãos para Sérgio Ricardo, tendo até mesmo acesso ao estacionamento privativo do TCE.
A negociata teria ocorrido nos mesmos moldes da desapropriação fraudulenta de um imóvel rural de 721 hectares na região do Manso, que também ocorreu em 2014 no valor de R$ 7 milhões.
Ambos os casos são apurados pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), no âmbito da operação Seven. No caso da região no Manso, a área serviria para ser acrescida ao Parque Estadual Águas do Rio Cuiabá. Nesse processo, o próprio Silval Barbosa confirmou o esquema de corrupção durante depoimento prestado à juíza Selma Arruda.
Outro lado
O advogado Márcio Leandro Pereira de Almeida, representante do conselheiro Sérgio Ricardo, disse que seu cliente jamais recebeu propina de quem quer que seja. “Atuou no TCE com isenção e imparcialidade, proferindo sempre decisões absolutamente técnicas, seguindo orientações dos auditores do Tribunal. Reiteramos que as declarações que envolvem meu cliente são falsas, absolutamente falsas, feitas por um criminoso contumaz confesso, disse.
A reportagem também entrou em contato com as assessorias de Antônio Joaquim e José Carlos Novelli, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. Os conselheiros Valter Albano e Waldir Teis não atenderam às ligações da redação. Contudo, todos os membros do TCE vêm refutando as acusações junto à Justiça.
A defesa do ex-secretário Arnaldo Alves, patrocinada pelo advogado Saulo Gahyva, afirmou que não teve acesso à delação de Pedro Nadaf e por isso não vai se manifestar. Não foi possível localizar os contatos de Reinaldo Maluli e da imobiliária Valle.