Feministas de MT aplaudem expulsão de Marcos do BBB
Rosana Barros, defensora pública, avalia que a expulsão foi exemplar
Seguindo a atual frase ícone do feminismo "mexeu com uma, mexeu com todas", feministas de Mato Grosso comemoraram a expulsão do médico gaúcho Marcos Harter, 37, que mora e trabalha em Sorriso, do programa global Big Brother Brasil (BBB).
A produção do programa avaliou que ele agrediu a namorada Emily Araújo, 20, dentro da casa, contrariando regras do reality. O anúncio foi feito pelo apresentador Tiago Leifert no início do programa desta segunda-feira (10).
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Rosana Barros, defensora pública e ex-presidente do Conselho Estadual da Mulher de Mato Grosso, avalia que a expulsão foi exemplar. "Foi um reality tão real que conseguimos vislumbrar várias formas de violência contra a mulher e a não percepção dela para o que estava ocorrendo. Infelizmente o episódio é pedagógico", lamenta a defensora, se referindo a vários momentos do casal no confinamento.
Marcos beliscou a namorada, colocou o dedo na boca dela para calá-la, a imobilizou no chão para impedir que saísse da conversa, elevou a voz bem alto para impedir que retrucasse, não deu licença quando ela pediu para se desvencilhar dele e fez tortura psicológica dentro da estratégia do jogo.
Sobre a postura de Emilly, que chorou quando Leifert anunciou a expulsão, Rosana Barros adverte que "ela estava em um relacionamento abusivo, não sabia, não se deu conta disso, tanto é que, no final das contas, se culpou e chorou a ausência dele, de um homem que a estava agredindo".
Rosana ressalta que esta "novela" está na realidade dos casais brasileiros e não dá para condenar a mulher, porque ela é educada para aceitar isso, o que naturaliza as agressões.
"Brasil é o 5º no mundo em feminicídios, homicídios provocados apenas pelo fato das vítimas serem mulheres. Entre os estados brasileiros, Mato Grosso também é o 5º", informa a defensora.
Ela ressalta que a expulsão tinha que ter ocorrido, diante da violência física e psicológica. "Já imaginou se, depois de tudo isso, ele fosse premiado ao final" – comenta.
Rosana ressalta também que essa expulsão não surgiu do nada, que é fruto do movimento feminista e também da atitude da delegada Márcia Noeli, diretora da Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher (Dpam), do Rio de Janeiro, que abriu inquérito e interferiu no caso mediante a agressão física.
"Todos os órgãos públicos podem e devem fazer o que ela fez, inclusive o telespectador poderia ter registrado denúncia, esse problema é de todos nós", afirma.
Nas redes sociais, Marcos está sendo criticado e também apoiado. "Mostra que a sociedade ainda abona o machismo", comenta a defensora pública.