Familiares de ex-governador de MT também firmaram acordo de delação e terão de pagar R$ 9,4 milhões
Mulher de Silval Barbosa, filho e irmão fizeram acordo de colaboração premiada com a PGR. Ex-primeira-dama disse que recebia propina mensalmente para pagar despesas pessoais.
A mulher do ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), Roseli Barbosa, o filho deles, Rodrigo Barbosa, e o irmão de Silval, Antônio da Cunha Barbosa Filho, também fizeram acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR) sobre os esquemas de corrupção no governo e se propuseram a pagar R$ 9,4 milhões.
Os acordos de colaboração premiada foram assinados com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em março deste ano, na mesma data que o de Silval. Assim como o do ex-governador, os acordos já foram homologados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Roseli Barbosa comandou a Secretaria de Trabalho e Assistência Social de Mato Grosso (Setas), entre 2011 e 2014, durante a gestão do marido. Ela é acusada de desviar R$ 8 milhões dos cofres públicos, por meio de convênios falsos com instituições sem fins lucrativos de fachada. No processo em que é ré, o Ministério Público Estadual (MPE) a acusa de receber 40% do dinheiro desviado através dessas contratações fraudulentas.
Ela se comprometeu a devolver R$ 2.452.290,22, em bens, sendo um terreno, avaliado em R$ 1.250.000,00, no Condomínio Portal das Águas, no Lago do Manso, em Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, e um apartamento em Cuiabá, avaliado em R$ 1.202.290,22.
Em depoimento à PGR, Roseli Barbosa conta que possibilitou e se beneficiou de esquema de propina envolvendo duas empresas de qualificação profissional, o Instituto Concluir e o Instituto Mato-grossense de Desenvolvimento Humano (IDH). A propina que recebia era usada também para gastos pessoais, como pagamento da fatura de cartão de crédito.
A ex-primeira-dama disse ainda que recebeu R$ 10 mil por mês de propina de uma empresa que prestava serviço de limpeza no prédio da secretaria, entre 2011 e 2014. O dinheiro, segundo ela, era para custear despesas da secretaria e dela.
Roseli foi presa em 2015 sob essa acusação de desviar dinheiro da Setas. Ela passou uma semana na prisão.
Apontado pelo MPE como o arrecadador de propinas no esquema liderado pelo pai, o médico Rodrigo Barbosa, que chegou a passar mais de um mês preso no ano passado, terá de pagar R$ 3.558.508,54, como ficou acordado no termo assinado com a PGR.
Nos depoimentos, ele disse ter recebido propina e pago vantagens indevidas. Uma delas, segundo ele, foi recebida aproximadamente R$ 400 mil de uma empresa que prestava serviço de informática ao estado, em três parcelas. De acordo com o filho do ex-governador, as negociações eram feitas por meio do ex-secretário estadual de Administração, Pedro Elias, então assessor especial da Casa Civil do governo.
No ano passado, em depoimento prestado à Justiça, Pedro Elias confessou ter feito parte da organização criminosa, liderada por Silval Barbosa, que recebeu dinheiro de propina de duas empresas que prestavam serviços para o estado.
Rodrigo da Cunha Barbosa disse que adquiriu quatro apartamentos em 2014, época em que Silval Barbosa ainda era governador do MT. Rodrigou procurou um empresário do ramo imobiliário para fechar o negócio diretamente com o empresário. Rodrigo pagou os apartamentos com dinheiro em espécie e, segundo ele, não houve nenhum questionamento sobre a origem do dinheiro e se havia outra forma de fazer o pagamento.
Toninho Barbosa fez acordo de delação com a PGR, também em 21 de março de 2017. Ele se comprometeu a pagar indenização no montante de R$ 3.428.488,99. Sócio de Silval em algumas empresas, ele teria praticado inúmeros crimes contra a administração e lavagem de dinheiro.
Já Silval Barbosa vai devolver R$ 46,6 milhões desviados dos cofres públicos por meio da alienação de cinco bens. Entre eles estão duas fazendas, avaliadas em R$ 33 milhões e R$ 10 milhões, e um avião de R$ 900 mil.