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Ex-Sesp: “Delegado montou operação para investigar o Governo”
Rogers Jarbas é suspeito de ter atuado para atrapalhar a investigação das escutas ilegais
O ex-secretário de Segurança Pública, Rogers Jarbas, investigado na Operação Esdras, afirmou que o governador Pedro Taques (PSDB) nunca tratou com ele sobre o esquema das interceptações clandestinas que operou no Estado, mas que pediu que os secretários à época visitassem os acusados que foram presos.
Ele também afirmou que o delegado Fávio Stringueta montou uma operação simulada para investigar a atual gestão do Governo do Estado.
Rogers está prestando depoimento nesta sexta-feira (09), na 11ª Vara Militar do Fórum de Cuiabá, na ação penal que apura os crimes militares relativos ao caso.
São réus do esquema o ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa; os coronéis Evandro Alexandre Lesco e Ronelson Barros, ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar, respectivamente; o coronel Januário Batista; e o cabo Gérson Correa Júnior. Dos cinco, apenas Gérson continua preso.
O esquema funcionava por meio da tática de “barriga de aluguel”, quando números de pessoas que não têm qualquer relação com investigações policiais são inseridos de maneira disfarçada – sob outras identificações –, em pedidos de quebra de sigilos telefônicos feitos à Justiça.
De acordo com Rogers, que é suspeito de ter atuado de forma ativa para atrapalhar as investigações dos grampos e chegou a ser preso no ano passado, nem o governador nem a Polícia Militar tinham conhecimento das ilegalidades investigadas.
"Eu vou repetir isso até o final: a Polícia Militar não tinha conhecimento da ilegalidade desse caso. Até hoje eu não sei o que ocorreu de verdade".
"Eu nunca ouvi nada da boca do governador sobre grampos. A única coisa que o governador queria saber se mim era sobre Segurança Pública, índices".
"Solidariedade"
De acordo com Rogers, o único pedido de Taques em relação ao caso foi para os secretários visitarem os acusados que foram presos por suposto envolvimento no esquema.
No ano passado, além do coronel Zaqueu Barbosa e do cabo Gérson Ferreira, também foram presos o major Michel Ferronato; o ex-chefe da Casa Militar, Evandro Lesco, seu adjunto Ronelson Barros; a esposa de Lesco, Hellen Lesco; o ex-secretário de Justiça e Direitos Humanos, Airton Siqueira; o ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques; e o próprio Jarbas. Com exceção do cabo, todos foram posteriormente soltos.
"A única vez que ele falou sobre isso foi em uma reunião com todos os secretários. Ele disse que se sentia triste com as prisões dos envolvidos e pediu que nós visitássemos os presos, por solidariedade".
"Nunca o governador tratou nada comigo sobre grampos".
Rebateu delegada
O ex-secretário negou que tenha tentado investigar transversalmente o promotor de Justiça Mauro Zaque, autor da denúncia, durante a oitiva da delegada Alana Cardoso.
Jarbas explicou que apenas tomou providências em relação ao ofício da juíza Selma Arruda, que apontou possíveis ilegalidades em operações em que a delegada atuou.
"Quando eu recebi o documento da Selma Arruda eu liguei para Alana e ela foi até a secretaria. Quando eu mostrei a informacao para ela, ela se desesperou e pediu para que eu ouvisse ela. Eu disse que não, que tinha uma reunião. Ela pediu uma sala para fazer a oitiva dela. Ela sentou lá e escreveu o depoimento dela. O Gustavo Oliveira [então adjunto e atual titular da Sesp] me ligou dizendo que ela tinha terminado e que era pra eu assinar". Saiba mais aqui.