Ex-secretário oferece imóvel de R$ 700 mil para pagar fiança
Apartamento de Arnaldo Alves possui quatro suítes, sendo uma com closet e hidromassagem
O ex-secretário de Estado Arnaldo Alves ofereceu um apartamento avaliado em R$ 700 mil como garantia ao pagamento da fiança fixada pela Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, em janeiro deste ano, para determinar sua soltura.
Alves foi preso em setembro de 2016 em decorrência da quarta fase da Operação Sodoma, que investiga o desvio de R$ 15,8 milhões na desapropriação de uma área de 55 hectares no Bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá.
De acordo com o documento de avaliação do imóvel a que o Midianews teve acesso, o apartamento fica localizado no bairro Quilombo, em Cuiabá, e ocupa todo um andar do edifício Bosque das Garças, localizado na Avenida São Sebastião.
O documento não revela quantos metros quadrados o apartamento possui, mas detalha que, das quatro suítes – todas equipadas com aparelhos de ar-condicionado modelo split –, três possuem armários embutidos e uma tem ainda espaço de closet e banheira de hidromassagem.
Tanto os quartos quanto a sala, com dois ambientes, e a sala de jantar têm piso de madeira. Já a cozinha tem piso de cerâmica, pia em inox e granito e armários embutidos.
O imóvel possui ainda sacada, lavanderia, dependência de empregada com banheiro, elevador social e de serviço.
A avaliação foi realizada por dois oficiais de justiça que afirmam, no documento, terem sido autorizados a entrar no apartamento – que está desocupado – pelo porteiro do edifício. Para se chegar ao valor, eles utilizaram o método de comparação de preço de mercado, identificado mediante consulta a imobiliárias.
Fiança
O valor inicial da fiança de Arnaldo Alves foi fixado em R$ 607 mil. Na Segunda Câmara Criminal do TJ, à época do julgamento, o relator do caso, desembargador Alberto Ferreira, votou pela manutenção da prisão, mas foi vencido pelos votos dos desembargadores Pedro Sakamoto e Orlando Perri, que votaram pela soltura do ex-secretário.
Na oportunidade, além do pagamento, os magistrados estipularam que Alves deveria comparecer a todos os atos do processo para os quais for intimado, manter seu endereço atualizado, não se ausentar de Brasília, cidade onde reside, e não se comunicar com os demais réus ou testemunhas do processo.
Sodoma 4
De acordo com as investigações, somente 55 hectares da área do Bairro Jardim Liberdade estavam aptos a serem desapropriados pelo Governo do Estado. O processo, no entanto,teria sido acrescido de mais 97,5 hectares, o que elevou o custo da desapropriação para R$ 37,1 milhões.
As suspeitas são de que, pelo menos, R$ 15 milhões tenham "retornado" para integrantes do Executivo como propina. Entre os beneficiados estaria o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), atualmente preso.
Dentro deste contexto, segundo depoimento de delação prestado por Afonso Dalberto, ex-presidente do Intermat (Instituto de Terras de Mato Grosso), Arnando Alves teria sido o responsável por agilizar a dotação orçamentária para que o órgão pudesse pagar a desapropriação.
Alves também teria atuado “lavando” parte do dinheiro desviado junto ao empresário Alan Malouf, sócio do Buffet Leila Malouf, e ao também ex-secretário de Estado Pedro Nadaf. Teria também se beneficiado, recebendo cerca de R$ 607 mil do esquema.
São réus em ação penal oriunda das investigações da quarta fase da operação Sodoma o ex-governador Silval Barbosa (PMDB); os ex-secretários de Estado Pedro Nadaf, Marcel de Cursi, César Zílio e Pedro Elias; o médico e filho de Silval, Rodrigo Barbosa; os empresários Alan Malouf e Valdir Agostinho Piran; e outras nove pessoas.
Eles respondem pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, falsidade ideológica e coação.