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Ex-prefeito denunciado por acusar adversária de bruxaria em cemitério é absolvido
Raimundo Zanon (PSD) acusou Rosana Rebussi (PTB) de fazer magia negra contra ele
A Justiça Eleitoral absolveu o ex-prefeito de Itaúba, a 599 km de Cuiabá, Raimundo Zanon (PSD), da denúncia de injúria a qual ele respondia após acusar a ex-vice-prefeita do município e adversária dele nas eleições municipais de 2012, Rosana Massaro Rebussi (PTB), de fazer bruxaria contra ele e seus familiares. A denúncia foi feita pelo Ministério Público Eleitoral.
A reportagem não conseguiu contato com a ex-vice-prefeita Rosana Rebussi. No processo, porém, ela negou as acusações e afirmou ser adepta do protestantismo e que suas crenças proíbem tais atos.
Segundo o ex-prefeito, ele foi procurado em outubro de 2012 por uma mulher que trabalhava na campanha eleitoral da adversária política dele como cabo eleitoral, que o alertou sobre a realização de uma macumba por parte de Rosana contra ele, em um cemitério afastado da cidade. Na época, ele era prefeito do município e candidato à reeleição.
Segundo Zanon, ele ficou apavorado e as declarações feitas por ele contra a adversária foram motivadas por um sentimento de revolta, em um momento de desabafo.
Na sentença, o juiz afirma que o depoimento de uma testemunha que presenciou o ato contra o prefeito e as fotos anexadas na ação penal - de um trabalho de macumba encontrado por Zanon no cemitério indicado pela cabo eleitoral - comprovam que ele agiu movido pelo medo.
"Não vislumbro presente no caso o dolo específico de ofender na manifestação feita pelo réu em sua propaganda eleitoral. Ao contrário, o contexto probatório que exsurge dos autos indica que as declarações foram feitas em momento de pavor, pânico e crença veemente de estar sendo alvo de 'magia negra', 'macumba', supostamente, praticada pela vítima", afirmou o magistrado.
As acusações do ex-prefeito foram feitas em uma propaganda eleitoral veiculada durante a campanha daquele ano. O juiz afirma que o histórico de animosidade entre as partes envolvidas no fato contribuiu para que o ex-prefeito acreditasse que Rosana Rebussi havia sido a autora do trabalho de magia negra, mas salienta que não há como se confirmar de que o ato foi cometido pela adversária política.
"Diante do contexto dos fatos e do quadro de inimizade não restou outra alternativa ao réu, senão acreditar veementemente nas palavras da testemunha sobre o envolvimento dela e de sua adversária política na prática dos atos de “magia negra”, “macumba” contra ele, o que conforme afirmou, deixou-lhe apavorado", diz trecho da sentença.
Depoimento
Ouvida em Juízo, a testemunha afirmou que presenciou a ex-vice-prefeita daquele município realizar o ato de bruxaria contra o adversário, usando fotos do ex-prefeito, da mulher e dos filhos dele.