Ex-pistoleiro de Arcanjo chega em Cuiabá sob escolta e está na PCE
Hércules Agostinho foi condenado a pelo menos 162 anos de prisão; ele confessou homicídios
Após cinco anos, ex-cabo da PM Hércules Agostinho, condenado a pelo menos 162 anos de prisão, retornou para Cuiabá. Considerado o “braço armado” de João Arcanjo Ribeiro, ele estava preso na Penitenciária Federal de Mossoró (RN) e confessou ter matado os empresários Sávio Brandão e Rivelino Brunini a mando de Arcanjo.
Além disso, executou o sargento José Jesus de Freitas. Neste caso, temia que ele o matasse.
Uma força-tarefa foi montada pela secretaria estadual de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) para recebê-lo na noite desta quinta (29), quando chegou por volta das 22h, no Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande. O ex-PM será encaminhado para a Penitenciária Central do Estado (PCE) e ficará alojado no raio 5.
O retorno de Hércules foi amparado por forte esquema de segurança que contou com o apoio dos agentes penitenciários do Setor de Operações Especiais (SOE) e gerência de escolta da Sejudh, e também de policiais militares. Já o deslocamento aéreo foi escoltado por agentes penitenciários federais.
Hércules foi transferido da PCE, em dezembro de 2012, após tentar fugir da unidade em outubro do mesmo ano. No cubículo, onde ele estava preso, foi localizado no raio 5, uma corda artesanal. Além disso, as grades da cela estavam serradas.
Crimes
Hércules confessou em 2003 em depoimento espontâneo, na 3ª Vara Federal ter matado o empresário Sávio Brandão. Já no outro caso, segundo o MPE, Hércules foi contratado em junho de 2002 pelo ex-bicheiro para matar Rivelino Jacques Brunini, que na época era sócio da empresa de máquinas de caça-níqueis que pertencia a organização criminosa chefiada por Arcanjo. Conforme ainda o MPE, Brunini associou-se a outro grupo sediado no Rio de Janeiro e, por isso, teria tido a morte encomendada.
Brunini foi surpreendido pelo ex-militar em uma oficina mecânica. Ele foi atingido por sete tiros e morreu na hora. No mesmo local, Fauze Rachid Jaudy foi baleado e morreu a caminho do Pronto-Socorro. O pintor Gisleno Fernandes, que também estava na oficina, sobreviveu ao atentado. De acordo com a denúncia do MPE,
Hércules recebeu ajuda do comparsa Célio Alves, ex-policial militar, que foi condenado há mais de 80 anos de prisão por diversos assassinatos a mando de Arcanjo.
Históricos de fuga
Hércules fugiu da cadeia em maio de 2003, da própria PCE, e foi recapturado em Rondônia, quatro meses depois. Ele estava na cidade de Machadinho. No dia 1º de maio, utilizando-se de uma arma de brinquedo e da conivência de pessoas da segurança do presídio, ele conseguiu escapar pela porta da frente.
Na época, três policiais do Serviço de Inteligência foram deslocados para a localidade de Machadinho (RO) tão logo chegaram às primeiras informações da presença do ex-cabo da PM na cidade.
Os policiais alugaram uma casa próxima à residência dos familiares de Hércules e ficaram 11 dias monitorando a área, até que houve a confirmação de que ele estava no local. Com o apoio de dez policiais de Rondônia, foi fechado o cerco e ele acabou sendo preso num domingo, no quintal da casa, sem esboçar nenhuma reação.