Clube de Tiro de Sorriso decide expulsar empresário investigado por crimes contra crianças
Ex-mulher e filhos de assassinado exigem R$ 7 milhões de Arcanjo
Familiares de Rivelino Brunini pedem pensão e indenização de ex-bicheiro por crime cometido
Familiares do empresário Rivelino Jacques Brunini, assassinado em 2002, ingressaram com uma ação de indenização contra o ex-chefe do crime organizado em Mato Grosso, João Arcanjo Ribeiro, em que exigem que o ex-bicheiro pague um total de R$ 7 milhões a eles.
A ação foi movida pela ex-mulher da vítima, Angela Brunini, e por seus filhos Raphael Alves Brunini e Mychael Johny Alves Brunini. O caso está sob a responsabilidade do juiz Gilberto Lopes Bussiki, da 9ª Vara Cível de Cuiabá.
Arcanjo foi condenado em setembro de 2015 a 44 anos de prisão pela acusação de ter mandado matar Rivelino Brunini e o também empresário Fauze Rachid, além da tentativa de homicídio contra Gisleno Fernandes. Ele está detido na Penitenciária Central do Estado.
No processo, Angela Brunini contou que seus filhos têm direito à pensão alimentícia de oito salários mínimos desde 1999, benefício confirmado por decisão judicial.
Porém, em razão do homicídio que vitimou eu ex-marido, Raphael e Johny Brunini ficaram sem a pensão.
A ex-mulher da vítima alegou que como Arcanjo foi condenado por assassinar Rivelino Brunini, também deve ser responsabilizado a arcar com todos os valores das pensões vencidas “desde a morte até a data em que Raphael Alves Brunini completou 25 anos, ou seja, oito de dezembro de 2016”.
“Os litisconsortes Angela Almeida Alves Brunini e Mychael Johny Alves Brunini fazem jus de forma solidária aos valores vencidos desde a oito de dezembro de 2016 até a data atual (julho de 2017) e vincendos até o momento em que Mychael Johny Alves Brunini completar 25 anos, ou seja, 23 de junho de 2020”.
“Considerando a data do homicídio ocorrido em 05 de junho de 2002 até a data atual temos um valor vencido de R$ 2.719.500,83”, diz trecho da ação.
Já Angela Brunini requereu para si o total das pensões a partir de 23 de junho de 2020 até a data em que presumidamente seu marido viria a falecer caso não tivesse sido assassinado, ou seja, 2050, quando tivesse 75,5 anos (expectativa de vida do brasileiro).
No caso da viúva, a pensão somaria R$ 2,94 milhões.
Danos morais
Outro requerimento da ação é indenização por danos morais, uma vez que Mychael e Raphael Brunini eram crianças quando o pai foi assassinado, sendo que o crime ocorreu “mediante paga ou promessa de recompensa e mediante recurso que tornou impossível a defesa da vítima”.
“Se trata de homicídio doloso, duplamente qualificado, com acentuado grau de culpabilidade e praticado por sujeito dotado de imenso poder econômico, de modo que no caso concreto é razoável que o valor da condenação seja no mínimo de 1.500 salários mínimos (R$ 1,4 milhão)”.
Também foi mencionado na ação que Arcanjo cometeu o crime com intuito de obter lucro, pois a vítima trabalhava com caça-níqueis, ramo no qual o ex-bicheiro também atuava. Assim, os familiares pediram que a Justiça mande o ex-bicheiro devolver aos herdeiros os valores ganhos ilicitamente.
“A reparação (faticamente impossível) exige não só que se indenizem os danos morais e se pague a pensão que era devida pelo de cujus, exige também que seja retirado o lucro do patrimônio do réu e entregue aos herdeiros do de cujus, no caso os litisconsortes Raphael Alves Brunini e Mychael Johny Alves Brunini”.
Ainda foi solicitado, em caráter liminar (provisório), que Arcanjo passe a pagar mensalmente os oito salários mínimos de pensão aos filhos da vítima até que a ação seja julgada. Saiba mais aqui.