Estudo sugere maior consumo de gordura e menos ingestão de frutas e legumes
Pesquisa publicada no 'Lancet' associou maior consumo de gordura com menor risco de morte por eventos cardiovasculares
Diretrizes internacionais sobre dietas saudáveis devem ser alteradas para que as pessoas consumam um pouco mais de gordura, reduzam o carboidrato e, em alguns casos, reduzam ligeiramente frutas e legumes, sugere estudo publicado nesta terça-feira (29) no "Lancet".
No decorrer de cerca de sete anos, dietas com aproximadamente 35% das calorias formadas por gordura foram associadas a menores taxas de mortalidade que dietas com cerca de 60% das calorias formadas por carboidratos.
No entanto, a Organização Mundial da Saúde atualmente recomenda que as pessoas não obtenham mais de 30% da energia da gordura. Também a entidade aconselha que se evite a ingestão de gorduras saturadas encontradas em produtos de origem animal.
O estudo do 'Lancet' recrutou pessoas entre 35 e 70 anos em 18 países entre 2003 e 2013. Pesquisadores também obtiveram informações das dietas de outras 135.335 pessoas que foram seguidas por cerca de sete anos em outros estudos.
Na análise, cientistas identificaram 5.796 óbitos e 4.784 eventos cardiovasculares entre a população estudada.
Quando pesquisadores separaram as pessoas em cinco grupos com base no consumo de carboidratos, descobriram que as pessoas que comiam mais carboidratos eram 28% mais propensas a morrer por qualquer causa durante o estudo do que as que comiam o mínimo.
Mas, quando as pessoas foram divididas em cinco grupos com base na quantidade de gordura que consumiam, aquelas que comeram mais gordura -- de qualquer tipo -- eram cerca de 23% menos propensas a morrer durante o estudo do que aquelas que comiam o mínimo.
Os achados foram consistentes com qualquer tipo de gordura consumida.
"Esperamos que as diretrizes sejam reconsideradas à luz das novas descobertas", disse Dehghan à Reuters.
Uma segunda análise do estudo também sugere que os benefícios de comer frutas e vegetais não são ilimitados.
As diretrizes da OMS sugerem cinco porções de frutas, vegetais ou leguminosas a cada dia, de acordo com a coautora da pesquisa Victoria Miller, também da McMaster University.
Essas diretrizes, explica a autora, são principalmente baseadas em evidências da América do Norte e da Europa. Em outras partes do mundo, cinco porções de frutas por dia podem ser muito caras.
Se as diretrizes da dieta fossem ajustadas para refletir uma quantidade menor, disse Miller à Reuters, seria mais viável e mais pessoas atenderiam esse objetivo.
Miller enfatizou, no entanto, que as pessoas que estão cumprindo ou excedendo o objetivo diário de frutas, legumes e leguminosas não devem levar as descobertas como uma licença para comer menos desses alimentos.