Estado estuda fechar 21 delegacias; deputados alertam para aumento da violência
Fechamento tem como objetivo enxugar gastos no Estado
O Governo do Estado está estudando a possibilidade de fechar até 21 delegacias de Polícia Civil no interior do Estado. A proposta, que vem sendo discutida no âmbito da Secretaria de Segurança Pública, gerou "revolta" dos deputados estaduais, que criticaram a possibilidade e alertaram para a volta de atividades criminosas que aterrorizaram a população num passado recente, como o "Novo Cangaço".
O deputado Elizeu Nascimento (DC) lembrou que o histórico da falta de segurança pública no estado não é das melhores. Ainda destaca que a redução de delegacias pode ativar a vinda dos criminosos que usavam métodos violentos para cometer crimes, principalmente no interior de Mato Grosso.
“Hoje nós vemos a sociedade refém de uma política que busca atrasar o sistema de crescimento da Segurança Pública do Estado, a beira muitas vezes de fazer com que o Novo Cangaço se instale e volte a proliferar no estado, principalmente nas pequenas cidades. As informações a esses criminosos chegam de uma maneira mais refinada, isso acaba contribuindo para que o crime se instale naquelas cidades, verdadeiros muros humanos serão colocados como escudos de marginais fortemente armados”, esbravejou.
A proposta estudada pela Polícia Civil é para o fechamento de 21 delegacias, sendo 20 em municípios e 1 em um distrito. O motivo seria os custos dessas instalações em cidades que tem baixo efetivo, e pouca demanda.
O deputado Claudinei Lopes (PSL), que é delegado da Polícia Civil, requereu uma audiência pública para debater a possibilidade da extinção das delegacias. Ele também argumentou que preocupação está no atendimento à população, principalmente na elucidação de crimes.
“A preocupação é grande. Como vai fechar delegacia aqui de Jangada, que fica na beira da BR, aonde acontece acidentes, assaltos. Então eu peço uma audiência pública para estar se reunindo com todos os representantes desses municípios, a sociedade organizada, conselhos de segurança, os chefes da polícia, delegados gerais. Precisamos urgente discutir isso e trazer todos os interessados para discutir isso. As delegacias podem ser fechadas e será um prejuízo enorme para população”, disse.
Um dos maiores críticos da possibilidade é o deputado estadual Wilson Santos (PSDB), que destacou que o Estado, nos últimos anos, reduziu os números de violência.
Segundo o deputado, é desafiador para o governador Mauro Mendes conquistar o mesmo o resultado na redução dos índices de homicídios de 2018 com a redução de delegacias. Ele lembrou que em 2014 foram assassinadas 1.350 pessoas no Estado e redução foi considerável em 2018, com pouco mais de 900 mortes.
“Espero que o novo Governo possa no final deste ano apresentar os números neste mesmo caminho, na mesma tendência, apesar que eu não acredito que isso acontecerá. A gestão anterior de Mato Grosso foi muito exitosa. O crescimento de homicídios em Mato Grosso era em média 8 a10% ao ano. Se esta tendência continuasse, fecharíamos a gestão em 2018 com aproximadamente 1900 assassinatos no Estado. Mas, houve uma redução desta tendência e terminamos 2018 com 930 mortes por assassinatos”, contou o ex-líder de Pedro Taques.
Wilson também considerou que é necessário reduzir custos no estado, mas não de setores primordiais como na Segurança Pública. “Eu sou defensor da redução do Estado, mas aonde é possível reduzir. Aqui não é possível. Antes de um direito constitucional, é um direito natural de todo cidadão”.
CRÍTICAS A TAQUES
Deputados da base governista saíram em defesa do governador Mauro Mendes (DEM) e apontaram o caos financeiros vivenviado pelo Estado para a medida. Segundo o líder do Governo, a falha no controle econômico tem afetado a prestação de serviços essenciais no Estado.
"O ex-governador Silval Barbosa deixou um déficit de R$ 1 bilhão no Estado. Aí vem o Pedro Taques e deixa quase R$ 4 bilhões. O Mauro Mendes está tendo que consertar isso tudo e aí pode afetar alguns serviços", alegou.