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“Espero que isso seja especulação e que Blairo possa sair ileso”
Presidente de partido de ministro sai em sua defesa e pede cautela contra delatores
O presidente regional do PP, deputado federal Ezequiel Fonseca, disse esperar que “seja especulação” a suposta delação do ex-deputado José Riva, na qual ele acusa o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), de usar dinheiro de precatórios para garantir apoio político, quando era governador de Mato Grosso
Os detalhes foram revelados nesta semana pelo jornal O Estado de S. Paulo, mas foi negado pela defesa do ex-presidente da Assembleia Legislativa.
Para Ezequiel, Maggi tem sido alvo de muitas especulações pelo fato de uma função importante, no contexto do Governo Federal.
“No momento certo, nosso ministro vai dar as explicações. Eu acredito que, como homem público que é, e hoje como ministro, ele tem sido alvo de muitas especulações. Espero que isso seja também uma especulação e que ele possa sair livre e ileso deste momento”, disse.
O deputado defendeu “cautela”, em especial pelo elevado número de delatores e também de alvos.
“Essa questão de delação, disso ou daquilo, temos que aguardar para ver. É preciso cautela. Hoje, há uma lista de delatores muito grande, muitos nomes envolvidos e é preciso que, no momento dele, no momento certo, dará as explicações”, afirmou.
As acusações
Segundo a reportagem do jornal paulista, em delação premiada à Procuradoria-Geral da República (PGR), Riva acusou Maggi de autorizar R$ 260 milhões em precatórios - pagamentos de causas judiciais - para a construtora Andrade Gutierrez, a fim de abastecer um sistema financeiro que tinha por objetivo comprar apoio de parlamentares.
Na denúncia, o ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa afirmava que os pagamentos teriam sido realizados entre março de 2009 e dezembro de 2012. E que o dinheiro teria sido usado para pagar deputados estaduais e integrantes da base em troca de apoio ao Governo.
Segundo Riva, esse sistema paralelo era operado pelo empresário Valdir Piran.
O delator narrou um encontro do qual participaram Maggi, o então secretário da Fazenda de Mato Grosso Éder Moraes e o ex-governador Silval Barbosa, sucessor do ministro da Agricultura no Executivo mato-grossense. E afirmou que foi nessa reunião que ficou acertado o esquema do precatório.
O ministro, a princípio, teria sido contrário à manobra financeira, mas, após a reunião, cedeu e teria aceitado autorizar a transação.
Para que os valores chegassem até o operador, a Andrade Gutierrez teria assinado, segundo o delator, um contrato de cessão de créditos com a Piran Participações e Investimentos, empresa da família do empresário Valdir Piran.
O acordo previa que a construtora cedesse seu crédito de precatórios a Piran com deságio de 54%. Com isso, dos R$ 260 milhões que teriam sido pagos pelo Governo de Mato Grosso à empreiteira, R$ 104 milhões teriam parado nas contas usadas pelo operador do esquema.