Empresário tentou barrar delação por fraudes em benefícios, afirma ex-funcionário
Florindo Gonçalves é acusado de ter mentido à Justiça no processo proveniente da Operação Sodoma
O ex-diretor jurídico do grupo City Lar, incorporado pela rede de lojas Ricardo Electro, Florindo José Gonçalves, prestou depoimento em audiência de retratação. Ele é acusado de ter mentido à Justiça no processo proveniente da Operação Sodoma, em sua primeira fase.
A referida operação versa sobre um suposto esquema para concessão de incentivos fiscais ao empresário João Batista Rosa liderado pelo ex-governador Silval Barbosa.
Batista, dono da Tractor Partes, afirmou que entregou irregularmente a quantia de R$ 2,6 milhões para obter incentivo no Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic). Além de Barbosa, os ex-secretários Marcel de Cursi e Pedro Nadaf teriam exigido o pagamento.
No depoimento dado no dia 1º de fevereiro de 2016, Florindo Gonçalves afirmou que tinha encontrado com o empresário João Batista Rosa (delator do esquema) e o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, para tratar sobre vendas de aparelhos de ar-condicionado para empresas do ex-secretário.
No entanto, as delações e investigações apontaram que a reunião seria para Nadaf tentar impedir João Rosa de denunciar a organização criminosa, que atuava na gestão de Silval Barbosa com fraudes à concessão de benefícios fiscais do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Prodeic).
Operação e esquema
A operação Sodoma, em sua primeira fase, aconteceu no âmbito de inquérito policial que investigou uma organização criminosa composta por agentes públicos que ocuparam cargos do alto escalão do Governo do Estado nos anos de 2013 e 2014.
Todo procedimento foi realizado em conjunto pela Delegacia de Combate à Corrupção, Ministério Público Estadual, Secretaria de Fazenda de Mato Grosso e Procuradoria Geral do Estado, com apoio do Sistema de Inteligência do Estado.
A suposta organização criminosa montada, segundo o Ministério Público, pelo ex-governador, cobrava propina em incentivos fiscais por meio do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Prodeic).
Silval Barbosa, Nadaf, Marcel de Cursi (que seguem presos) além de Francisco Andrade de Lima Filho, Sílvio Cezar Corrêa Araújo e Karla Cecília de Oliveira Cintra constam com réus no caso.