Empresário deverá devolver R$ 1 milhão para se livrar de ação
Alberto de Souza pagará montante em duas parcelas para não responder por improbidade
O empresário Alberto Borges de Souza, proprietário da Caramuru Alimentos S/A, se comprometeu a devolver R$ 1 milhão ao Estado para não responder a uma investigação de improbidade administrativa, que apura esquema de fraude e propina envolvendo a empresa.
O compromisso foi feito com o Ministério Público Estadual e com o Estado, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), e faz parte da delação premiada firmada por Alberto Souza – que ainda está sob sigilo.
A investigação em questão é relativa à Operação Zaqueus, deflagrada pela Delegacia Fazendária em maio do ano passado.
Conforme as investigações, uma multa aplicada à empresa Caramuru Alimentos S/A foi reduzida de R$ 65,9 milhões para pouco mais de R$ 315 mil, mediante o pagamento de propina de R$ 1,8 milhão a três agentes de tributos.
O caso já gerou uma ação penal em que Alberto Souza é réu junto com os demais envolvidos no esquema: os agentes de tributos estaduais André Fantoni (apontado como principal articulador do esquema), Alfredo Menezes de Mattos Junior e Farley Coelho Moutinho; os advogados Sandra Mara de Almeida e Themystocles Figueiredo (delator do caso); e o representante da empresa Caramuru, Walter de Souza Júnior.
No depoimento à Defaz, o empresário confessou ter pagado a propina e se disse arrependido do ato.
Ao firmar o TAC, o empresário concordou em devolver R$ 1 milhão, a título de multa, em duas parcelas: a primeira de R$ 550 mil a ser paga até o dia 26 de abril, e a segunda de R$ 450 mil com vencimento no dia 30 de julho deste ano.
Ele também aceitou ter os direitos políticos suspensos por oito anos.
A primeira parcela de R$ 550 mil terá como destinatário o 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros do Estado, valor que será usado para obras de reforma e manutenção predial.
“O compromissário deverá comprovar o pagamento da obrigação estipulada na cláusula anterior, mediante apresentação do(s) comprovante(s) de depósito ou transferência bancária a esta Promotoria de Justiça e ao Comando do 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso”.
Os outros R$ 450 mil deverão ser destinados à Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), verba que terá a finalidade de adquirir armamento e munições em favor do Grupo Especial de Fronteira (Gefron).
Tanto o Corpo de Bombeiros quanto a Sesp deverão prestar contas dos valores recebidos em até um ano.
“Em caso de descumprimento de quaisquer das obrigações aqui assumidas, salvo caso fortuito ou de força maior, o compromissário estará sujeito a multa no valor de 10% sobre o montante inadimplido”, diz trecho do termo.
O TAC foi assinado pela promotora de Justiça Audrey Ility; pela procuradora-geral do Estado, Gabriela Novis Neves; pelo advogado de Alberto Souza, Huendel Rolim; pelo controlador-geral do Estado, Ciro Rodolpho; pelo secretário de Estado de Segurança Pública, Gustavo Garcia; pelo comandante do Gefron, José Nildo Oliveira; pela Comandante do 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel Luciana Bragança Silva; pelo comandante geral do Corpo de Bombeiros, Alessandro Ferreira; pelo major do Gefron, Luiz Marcelo da Silva; e pelo sub-procurador-geral do Estado, Luiz Otavio Trovo.
Confesso
Apesar de a delação ainda estar sob sigilo, no ano passado o empresário já havia confessado sua participação no esquema.
Na oportunidade, Alberto Souza alegou ter acatado a oferta de pagamento de propina por medo de que a Caramuru passasse a ser alvo de perseguição por parte de agentes corruptos.
"Eu me arrependo de ter aceito a exigência dos pagamentos de propina, no entanto, friso que somente concordei pois acreditei que se não pagasse as propinas a empresa seria autuada e perseguida no Estado, através de agentes corruptos conforme a ameaçada perpetrada por André [Fantoni] através de Walter [de Souza Júnior]. A empresa se compromete desde já em efetuar o pagamento correto de todos os tributos acaso devidos em um julgamento imparcial, sendo que estou à disposição para esclarecimento de todos os fatos", diz trecho do depoimento.
Durante o depoimento, Alberto Borges ainda afirmou ter convicção de que a maioria dos processos administrativos da Sefaz contra a Caramuru são indevidos. Isso porque eles teriam como tema a comprovação de isenção de ICMS para soja destinada à exportação, conforme previsto na Lei Khandir.
De acordo com o presidente da empresa, a complexidade da legislação estadual quanto ao tema é que teria motivado a secretaria a não aceitar a documentação apresentada para comprovar tais exportações.
"Sendo assim, após as informações levadas por Walter para mim, a empresa ficou com medo de julgamentos desfavoráveis , o que poderia suscitar prejuízos financeiros altíssimos, motivo pelo qual acabei concordando com as exigências feitas por André”, diz trecho do depoimento.