Em sete meses, Prefeitura de Cuiabá já arrecadou R$ 7,5 milhões com multas
No total, foram registradas 233 mil infrações de 1º de janeiro a 25 de julho, na Capital
A Prefeitura de Cuiabá já arrecadou cerca de R$ 7,5 milhões com multas de trânsito de 1º de janeiro a 25 de julho deste ano. O levantamento é da Secretaria de Mobilidade Urbana da Capital (Semob).
De acordo com o levantamento, no total 233 mil multas foram registradas nesses setes meses. Dessas, 70% foram aplicadas por equipamentos eletrônicos e 30% por agentes de trânsito, os chamados “amarelinhos”.
A Secretaria negou que os profissionais recebam "bônus" por multas aplicadas.
Conforme o levantamento, entre os motivos das infrações, está atirar objetos ou substâncias do veículo, avançar o sinal vermelho, transitar em motocicleta sem capacete ou viseira, fazer uso de celular e transitar sem cinto de segurança, por exemplo.
As multas, segundo o levantamento, são registradas, em maior frequência, na área central de Cuiabá, nas avenidas do CPA, Fernando Corrêa e Miguel Sutil.
Ainda de acordo com o levantamento, o dinheiro arrecadado é destinado para sinalização, campanhas educativas, obras de asfalto, entre outros.
No início de julho, porém, o Ministério Público Estadual (MPE) abriu inquérito para apurar qual o real destino do dinheiro arrecadado com multas na Capital.
Na portaria, o MPE alega que a investigação ocorre para verificar se a administração pública do Município está "dando a devida publicidade, em suas páginas eletrônicas, sobres os dados arrecadados com a cobrança de multas".
“Absurdo”
Nas avenidas e ruas da Capital, é nítida a indignação dos condutores em relação às multas.
Os motoristas acreditam que a Prefeitura não está interessada em educar, e sim em arrecadar.
O vigilante Nevio Alves Silva, de 42 anos, garantiu que foi multado duas vezes neste ano em Cuiabá, sem que houvesse motivo, na sua opinião.
A primeira, conforme ele, ocorreu em março. Ele teria sido flagrado sem cinto de segurança na Avenida Fernando Correa da Costa, o que garante não ter acontecido.
Em uma outra situação, em abril, ele afirmou que foi multado por ter parado por apenas um minuto na faixa amarela da Rua Barão de Melgaço para deixar uma passageira na porta do banco.
“Ele [agente de trânsito] sequer veio me perguntar por que parei ali. Só pegou e anotou, mesmo vendo que saí em seguida. Virou realmente uma indústria da multa. Recorri das duas infrações, mas tenho certeza que não vou ganhar”, disse.
O empresário Gabriel Marques, de 35 anos, também afirma que foi multado sem motivo.
“Eles me multaram alegando que eu estava usando o celular em plena Estrada do Moinho. Tenho certeza que não estava. É um absurdo mesmo. Os ‘caras’ querem arrecadar”, reclamou.
A enfermeira Fabiany Selma Alves contou que ficou surpresa com a multa que recebeu em casa no último mês. Ela disse que estava de plantão e seu carro estacionado na garagem do hospital. "E multa deu que eu estava em uma avenida, com o carro estacionado no passeio. Isso é uma vergonha onde vamos parar?".
A reportagem tentou contato com o secretário de Mobilidade Urbana da Capital, Antenor Figueiredo, mas ele não atendeu às ligações.