Em hospital sem verba, pacientes têm que comprar remédios e até gaze
Funcionários que estão com salários atrasados fazem greve há quatro meses
A precariedade é tamanha no Hospital Geral de Poconé, a 104 km de Cuiabá, que os pacientes têm que pagar pelos medicamentos que deveriam ser fornecidos pela unidade e até comprar insumos básicos, como gaze e esparadrapo, por exemplo. As famílias dos pacientes é quem está limpando a unidade, que, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, não recebe verba do governo do estado desde janeiro deste ano.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde, mas ainda não obteve resposta sobre a situação de Poconé. No entanto, nesta sexta-feira (26), o governador Pedro Taques (PSDB) disse, em entrevista coletiva, que deve fazer repasses emergenciais para a saúde, remanejando recursos de outras áreas para pagar parte dos débitos com as unidades de saúde. Segundo ele, a medida deve amenizar o problema dos hospitais a curto prazo.
A merendeira Simone Pádua, que está acompanhando o tio de 74 anos no hospital, afirma que para dar continuidade ao tratamento é preciso que ela mesmo forneça os remédios.
A situação se agravou devido à greve dos funcionários, que começou há quatro meses. Por causa disso, os serviços foram parcialmente suspensos. A unidade filantrópica fazia cirurgias de baixa e média complexidade, mas agora só está realizando procedimentos simples e quem consegue ser internado tem que pagar pelos próprios remédios. Além disso, a unidade parou de realizar partos.
O hospital está vazio. Com 60 leitos e capacidade para atender em média 300 pessoas por mês, a unidade, cujos funcionários estão em greve e tem falta de insumos básicos, conta apenas cinco pacientes internados.
Apenas 30% dos 50 funcionários estão trabalhando. Além de três salários atrasados, os funcionários cobram melhores condições de trabalho.
"O mais vergonhoso é o paciente sair daqui para tomar antibiótico em Cuiabá, tratar pneumonia em Cuiabá. Nunca aconteceu isso aqui no nosso hospital", disse Tânia Rondon, que é dirigente do Sindicato de Enfermagem do município.
A professora Maria da Conceição Pizoto disse que está preocupada com a filha que está prestes a dar a luz e o hospital não está fazendo partos. "E se a gente chegar aqui e não tiver nenhum motorista, nenhuma ambulância. A minha preocupação é esse porque nós temos o pronto-atendimento, mas que presta outros tipos de atendimento", afirmou.
A secretária de Saúde de Poconé, Ilma Regina Figueiredo, afirma que o governo não efetuou os repasses referentes aos meses de janeiro e fevereiro. “O estado ainda está com dois meses sem repassar para o hospital”, disse.