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Em depoimento, Riva aponta emissários da propina a deputados
Lista de investigados tem parentes, funcionários e gente de confiança de políticos
O ex-deputado estadual José Riva descreveu, em depoimento à Delegacia Fazendária, supostas conexões entre políticos e parte dos investigados sob suspeita de envolvimento no esquema de fraudes e desvio de verbas no Detran-MT.
Em meio a familiares, funcionários e "pessoas de extrema confiança", Riva indicou, na lista da Operação Bereré, os responsáveis por receber propina em nome de quatro deputados estaduais e uma prefeita: Mauro Savi (PSB), Romoaldo Junior (PMDB), José Domingos Fraga (PSD), Guilherme Maluf (PSDB) e a ex-deputada e prefeita afastada de Juara, Luciane Bezerra (PSB).
Outros investigados tiveram seus nomes ligados pelo ex-parlamentar aos deputados Eduardo Botelho (PSB), Baiano Filho (PSDB) e Nininho (PSD), aos ex-deputados Alexandre Cesar (PT) e João Malheiros, ao conselheiro afastado do TCE-MT e ex-deputado Sérgio Ricardo, ao deputado licenciado e secretário de Cidades, Wilson Santos (PSDB), além do ex-deputado federal Pedro Henry. Nestes casos, Riva mencionou apenas relações de confiança.
Riva prestou depoimento aos delegados Márcio Moreno Vera e Alexandra Fachone no dia 22 de fevereiro. Na ocasião, o ex-parlamentar disse que conhecia o suposto esquema do Detran e que em 2010 chegou a ser convidado por Mauro Savi para também ingressar no grupo de políticos beneficiários.
"[Savi] afirmou ao depoente que ele tinha uma participação em um esquema de recebimento de propinas no DETRAN, tendo nesta oportunidade ofertado ao depoente participação no recebimento dessas propinas, mas o depoente acabou não indo atrás (...)", disse Riva, em um trecho.
Savi tinha "muito poder" no Detran, afirmou Riva: indicava os presidentes entre "pessoas de sua confiança". Em uma lista com 21 nomes de alvos da Operação Bereré, o ex-parlamentar identificou sete que estariam diretamente ligados ao deputado - entre eles um cunhado e uma funcionária de seu gabinete.
Riva citou a participação de Dalton Luiz Santos Vasconcellos, Adriana Rosa Garcia de Souza, Andreo Darci Mensch Leite e Cleber Antônio Cini, o "Binho", como emissários que Savi "utilizava para o recebimento de propinas".
No caso do deputado Romoaldo Junior, continuou o ex-parlamentar, o mesmo papel era exercido por Francisvaldo Mendes Pacheco, conhecido como "Dico". "Dico é pessoa de extrema confiança do Deputado (...) Romoaldo se utiliza de Francisvaldo para receber propinas", afirmou.
Três nomes de investigados foram vinculados por Riva ao deputado Guilherme Maluf: Moisés Dias da Silva, Nelson Lopes de Almeida e Odenil Rodrigues de Almeida. Este último, de acordo com o depoimento, seria o responsável por receber os pagamentos relacionados ao esquema.
Ao ser questionado sobre a investigada Maria de Fátima Azóia Pinotti, Riva disse que se trata de uma prima da ex-deputada e prefeita afastada de Juara, Luciane Bezerra.
De acordo com Riva, propinas oriundas do esquema descoberto pela Operação Ventríloquo foram depositadas, a pedido de Luciane, na conta da Fama Serviços Administrativos LTDA, empresa da qual Pinotti é sócia.
Outro lado
Por meio de nota, o deputado Mauro Savi negou envolvimento com o esquema descoberto no Detran-MT e negou que tenha mantido a conversa descrita po Riva em seu depoimento.
Ele declarou que está à disposição da Justiça e que irá se pronunciar "no âmbito do inquérito, quando ele for instaurado".
O deputado Guilherme Maluf, também em nota, disse desconhecer "qualquer ligação do seu nome com a operação Bereré".
"O parlamentar informa que nunca atuou politicamente junto ao DETRAN durante seus mandados de deputado estadual e nem designou servidores de sua confiança para qualquer relacionamento com o órgão", afirmou.
Maluf disse, ainda, que não foi alvo de nenhum mandado solicitado pelo MPE e que "qualquer pessoa que esteja querendo vincular seu nome a operação está agindo de má fé, tentando confundir a Justiça no andar das investigações"
A reportagem procurou a assessoria de Luciane Bezerra e deixou recados que não foram respondidos até a publicação dessa reportagem. A assessoria de José Domingos Fraga disse que o deputado está de licença médica e não irá se pronunciar. Uma recado foi deixado na caixa de mensagens do telefone do deputado Romoaldo Junior, mas não houve resposta.