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Eduardo Botelho tem 72h para analisar CPI dos grampos
O panorama “melindroso” se agrava com a disputa interna pela autoria da Comissão
O deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (DEM), vê como assunto bastante problemático a possível instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de que o governador Pedro Taques (PSDB) teria sido o "mandante" dos grampos telefônicos clandestinos, conforme afirmou em juízo o cabo da Polícia Militar, Gerson Corrêa Júnior.
O panorama “melindroso” se agrava com a disputa interna pela autoria da CPI entre os parlamentares Wilson Santos (PSDB) e Janaina Riva (MDB).
“É bom deixar bem claro que quem vinha falando em CPI dentro da Assembleia e começou a falar logo que saiu aquele depoimento do cabo Gerson, foi a deputada Janaina. Todavia, o regimento diz que é a entrada do requerimento. E ontem o deputado Wilson Santos protocolou o requerimento, logo em seguida a deputada Janaina também protocolou”, explicou Botelho nesta quarta-feira (8) em entrevista à Rádio Vila Real FM.
Existem, porém, dúvidas sobre a legalidade dos pedidos. “O problema é que a deputada Janaina alega que o requerimento do deputado Wilson Santos não tinha as assinaturas. Então, realmente não tenho como, no momento ali, naquela tensão, não tenho condições de dizer se tinha assinatura ou não. Ele entregou para mim um espelho que não tinha assinatura. Todavia, Ele disse que já havia protocolado, junto com o consultor geral, as assinaturas. E é possível, o consultor pode receber”, afirmou Botelho.
Os pedidos de CPI têm como base o depoimento que o cabo da Polícia Militar, Gerson Corrêa, prestou por mais de 5 horas no início do mês. No Judiciário, Gerson afirmou que o governador Pedro Taques (PSDB) e o seu primo e ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, seriam "os donos do negócio", uma rede de interceptações telefônicas clandestinas instalada em 2014 perto da campanha eleitoral na qual o tucano foi eleito governador.
Para revelar com que realmente apresentou 1º o requerimento, Botelho terá prazo. “Eu criei uma comissão, composta pelo procurador-geral e dos consultores. Eu havia pedido 24 horas. Eles reuniram comigo ontem durante a noite pedindo para que esse prazo é muito curto para eles, uma vez que terão que assistir toda a sessão novamente, vão ter que olhar tudo, estudar a jurisprudência. Então nós ampliamos isso para 72 horas. Para que eles pudessem, realmente, fazer um estudo amplo, e apresentar um parecer bem técnico e imparcial”, afirmou.
Wilson quer que a CPI só funcione depois das eleições, investigando outros nomes e órgãos além de Pedro Taques. A deputada Janina entende que a CPI deve funcionar logo. “Aí são 2 pontos de vistas. Duas opiniões diferentes de deputados”, finalizou Botelho.