Éder nega Caixa 2 e diz que não coordenou campanha de Maggi
Ex-secretário diz estar surpreso por ter sido apontado como articulador de suposto caixa 2
O ex-secretário de Estado Éder Moraes negou, por meio de sua defesa, qualquer atuação junto a construtora Odebrecht no sentido de pleitear R$ 12 milhões, via caixa 2, para a campanha eleitoral de 2006 do hoje ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi.
O advogado Ricardo Spinelli afirmou que Éder não era secretário de Estado à época e sustentou que o político também não foi coordenador da campanha de Maggi ao governo do Estado naquele ano.
O nome de Éder aparece na decisão em que o ministro Edson Fachin, relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autoriza a abertura de inquérito contra Maggi e o deputado federal e ex-governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda dos Santos, o "Zeca do PT".
Spinelli afirmou que tanto ele quanto Éder tomaram conhecimento da denúncia por meio da imprensa e que aguardarão a citação oficial da Justiça para se manifestar.
“Conversei com o Éder hoje (12) pela manhã e ele me disse ter sido pego de surpresa, que sequer conhece as pessoas mencionadas. Por prudência, então nossa decisão é de aguardar”, afirmou.
R$ 12 milhões
Maggi é acusado pela Procuradoria Geral da República (PGR) de ter recebido, por meio de caixa 2, R$ 12 milhões da Odebrecht para o financiamento de sua campanha ao governo em 2006. O pagamento teria ocorrido por meio do Setor de Operações Estruturadas do Grupo, que ficou conhecido, após as investigações, como o responsável pelo pagamento de propina a políticos.
As afirmações constam em delação dos investigados João Antônio Pacífico Ferreira, diretor superintendente para as Áreas Norte, Nordeste e Centro Oeste da Odebrecht, e Pedro Augusto Carneiro Leão Neto, diretor de contratos da construtora.
Segundo eles, o montante teria sido cobrado por Éder e serviria para “propiciar” à empreiteira o recebimento de créditos que detinha com o Governo de Mato Grosso por obras realizadas anteriormente.
Conforme a denúncia, os pagamentos à Odebrecht eram reconhecidos pelo Governo administrativa e judicialmente, mas não vinham sendo honrados em razão da incapacidade financeira do Estado.
Constrangimento
Por meio de nota, o ministro Blairo Maggi lamentou que seu nome tenha sido incluído em uma lista de 108 pessoas citadas em delações, sem que ele tivesse “qualquer possibilidade de acesso ao conteúdo da citação” para se defender.
“Me causa grande constrangimento ter minha honra e dignidade maculadas, numa situação na qual não sei do que sou acusado”, diz trecho da nota.
Outros citados
Além de Maggi e Éder, o ex-vereador por Cuiabá, Lúdio Cabral (PT) apareceu em delações premiadas de investigados na Lava Jato. A acusação contra ele também é de recebimento de valores, por meio de caixa 2, para o financiamento de campanha eleitoral.
Lúdio foi citado pelo ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Alexandrino Alencar. Segundo ele, o montante (ainda não revelado) foi destinado a campanha de 2014, quando o petista disputou o governo do Estado.
Por meio de nota, o ex-vereador afirmou não conhecer o conteúdo da acusação e que, neste momento, não se manifestará a respeito do caso.