Diretoria do HRS pede investigação de mortes e afirma que não 'força' parto normal
Lígia Leite ressaltou que as condições das gestantes e outros fatores devem ser apurados
A diretora do Hospital Regional de Sorriso, Lígia Leite, concedeu entrevista coletiva, nesta manhã, para falar sobre os casos de cinco natimortos registrados em Sorriso até o dia 13 deste mês. Segundo ela, a própria unidade médica deseja que os casos sejam apurados. Além disso, falou sobre o protocolo para parto normal e do suposto caso de negligência.
“Todos elas chegaram gestantes com bebê em óbito. Em dois casos houve descolamento de placenta, de crianças prematuras. Tiveram outros três casos e um deles é de uma jovem de 16 anos que já tem histórico de natimorto anterior. Ela chegou ao HRS encaminhada por um médico da rede básica de saúde e, inicialmente, a gente não sabe o motivo [da morte da criança]”.
Conforme o Portal Sorriso MT divulgou, a adolescente disse que teve interrupção da gravidez e morte do seu bebê por uma suposta negligência médica.
“Ela esteve no hospital no dia 11 de março e foi atendida pelo plantonista obstetra e foi devidamente avaliada e, posteriormente, foi liberada porque não estava em trabalho de parto. A nossa preocupação é que deve haver investigação tanto pelo município quanto pelo estado. Onde ela esteve entres os dias 11 e 13? Que tipo de atividade ela desenvolveu? Ela sofreu algum trauma? Alguma queda? Ela teve algum sintoma? O que aconteceu com ela? Então, deve ser investigado mesmo”, disse a diretora do Regional.
Ainda segundo a diretora, deve ser ouvida a paciente e os médicos que atenderam a gestante. “Não se pode acusar o médico antes de fazer o levantamento. A gente quer a verdade para que possa ser identificado se houve falha, mas não estamos aqui para julgar ninguém. Faço questão de ressaltar que tivemos até hoje 282 saídas, ou seja, de pessoas que ficaram internadas ou em observação e saíram vivas. Tivemos 155 internações de pessoas que procuraram o hospital regional e saíram vivas”.
O HRS informou que atende uma média de 120 partos mensais e que a quantidade de natimortos registrada neste mês é atípica. “Só no mês de março foram 87 partos de nascidos vivos e, infelizmente, aconteceram esses óbitos. A gente acredita que foi uma fatalidade e algo fora do padrão. Nossa média é de 2 a 3 natimortos por mês. A investigação tem que acontecer, sim, pois a gente acredita que deve ser feito um levantamento real e adequado do histórico da gestante. E tem vários fatores que podem interferir na gravidez”.
Sobre o parto
Em redes sociais, algumas mulheres alegaram que o Hospital Regional de Sorriso supostamente “força” a indução ao parto normal e evita a cesária mesmo quando há necessidade.
Questionada sobre o assunto, a diretora da unidade garante que os profissionais são sérios e seguem protocolo para preservar a vida da mãe e do bebê.
“O parto normal é o mais indicado para a mulher, o restabelecimento é mais rápido e é melhor para o bebê. Mas tem um prazo dentro do protocolo que o médico tem que aguardar para ver se desenvolve o parto normal. Quando não há essa resposta a contento do organismo da mãe, aí vai para a cesárea, que é feita quando há indicação médica e não por pedido da paciente”, explicou.
Apesar do atendimento à portas fechadas (quando todos os pacientes devem ser regulados) para obter atendimento no Hospital Regional, a diretora afirmou que “toda gestante que chegou aqui, com ou sem encaminhamento, foi atendida”.
Confira AQUI a reportagem completa no Cidade Alerta, programa da TV Sorriso (Record).