Diminui número de leitos pediátricos em Mato Grosso
No Estado, a queda de leito entre 2010 e 2016 foi de 11%;
Levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) aponta que num período de seis anos – 2010 a 2016 – mais de 10 mil leitos pediátricos do Sistema Único de Saúde foram desativados.
De 48,3 mil leitos foram reduzidos para 38,2 mil, as vagas são destinadas às crianças que precisam permanecer num hospital por mais de 24 horas. Em Mato Grosso, a queda de leito neste período também foi expressiva. Somente Cuiabá perdeu 37% das vagas.
Em relação ao Estado, no total em 2010 existiam 1.145 vagas e foram reduzidas para 1.014 em 2016, queda de 11%. Dos leitos do SUS, o Estado dispunha em 2010 de 919 vagas, caindo em 16% em 2016 que totalizou 775 leitos pediátricos. Já os leitos que não são do SUS tiveram um aumento de 6% saindo de 226 em 2010 para 239 em 2016.
O balanço traz ainda os números de leitos pediátricos em relação às Capitais. Em Cuiabá, a queda superou o percentual apresentado pelo Estado. A redução total foi de 26% dos leitos comparando 2010 – 235 leitos – e 2016 – 176 leitos. No comparativo dos leitos do Sistema Único de Saúde a redução dos leitos foi ainda maior, com queda de 37% em seis anos. Em 2010 eram 191 vagas e em 2016 caiu para 120. Em contrapartida, os leitos não SUS aumentaram em 20% saindo de 44 em 2010 para 53 em 2016.
A Sociedade Brasileira de Pediatria também fez um alerta em relação aos prematuros, nascem por dia no Brasil 912. Muitos deles precisam ser mantidos em tratamento intensivo. No entanto, segundo a SBP faltam pelo menos 3.200 leitos de intensivos neonatais no país. A proporção ideal seria de no mínimo quatro leitos para cada mil nascidos vivos. No entanto, dados do Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (CNES) indicam a existência 8.723 leitos do tipo no País, públicos e privados, que correspondem a 2,9 por mil nascidos vivos. Se considerados apenas os leitos oferecidos no Sistema Único da Saúde (SUS), esta taxa cai para 1,5 leitos/1.000, considerando as 4.518 unidades existentes.
Mato Grosso está entre os Estados com número insuficientes de UTI Neonatal. No Estado são 187 leitos existentes, 3,32 para cada mil nascidos vivos. Quando se fala em leitos do SUS o número reduz ainda mais. No total são 80 leitos, 1,4 a cada mil nascidos vivos. Entre os estados, o pior resultado apurado pela SBP consta em Roraima, onde os 12 leitos de UTI neonatal disponíveis compõem a taxa de apenas 1,08 leitos por mil nascidos vivos. Na segunda pior posição, o Acre, com 1,12 leitos a cada mil, seguido do Piauí, onde o mesmo grupo de recém-nascidos tem 1,20 leitos.
A Sociedade Brasileira de Pediatria ressalta que a redução de números de leito tem impacto direto no atendimento. Com isso, há atrasos nos diagnósticos e no início do tratamento.
REALIDADE – Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá, Elizeth Lucia de Araújo, a princípio, o que houve foi um crescimento da demanda. Mas, historicamente, e de uma forma geral, é sabido que há um déficit de leitos. A secretaria frisou ainda que é importante lembrar que com a criação da UTI Pediátrica do HPSMC, houve um aumento no número de leitos pediátricos.
Na rede privada, apesar do aumento da demanda, os hospitais estão investindo em atender os pacientes com qualidade. Patrícia Blini gerente do Centro de Especialidades Médicas da Clínica Femina afirma que hoje o local conta com 16 leitos de neonatal e setes leitos de UTIs pediátricas. O local que é referência em maternidade inclusive está com a ampliação de seus serviços. A Femina realiza por mês uma média de 180 partos.
“A demanda de fato aumentou, estamos preparados para atender nossos pacientes com todo o suporte possível, temos leitos suficientes e equipes treinadas”, frisa.
O Conselho Regional de Medicina confirmou que quando se trata de leito pediátrico a alta complexidade é o maior problema, a falta de leitos na UTI neonatal é uma das falhas. A realidade estaria refletindo diretamente na taxa de mortalidade neonatal no Estado. Mato Grosso tem, por exemplo, a taxa mortalidade neonatal de 9,3 por cada mil nascidos vivos.