Delegado registra BO contra ex-secretário de Segurança de MT
Flávio Stringuetta disse que Rogers Jarbas o chamou de "covarde", "mentiroso" e "safado"
O delegado da Polícia Civil Flávio Stringuetta registrou um boletim de ocorrência contra o ex-secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, Rogers Jarbas, que também é delegado da instituição, por ameaças no estacionamento de um supermercado, em Cuiabá. Assista aqui.
A denúncia foi registrada na Corregedoria Geral da Polícia Civil. No boletim de ocorrência, Stringuetta diz que quando terminava de passar as compras no caixa do supermercado, por volta de 10h daquele dia, Rogers o cumprimentou e depois saiu atrás dele, deixando as compras para trás.
Stringuetta disse que já se preparava para deixar o local quando Rogers pediu para conversar com ele. Segundo o delegado, o ex-secretário de Segurança se mostrava "acintoso e provocativo" e o chamou de covarde e mentiroso.
"O comunicante tentou interromper a conversa para evitar problemas, mas Rogers continuou chamando-o de covarde, mentiroso e acrescentou que era safado. Rogers disse que queria resolver o 'nosso problema' de 'homem para homem', 'olho no olho' e que queria confrontar fisicamente o comunicante", diz trecho do boletim de ocorrência.
Segundo Stringuetta, Jarbas disse que houve uma armação e atribuiu ao desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) Orlando Perri a responsabilidade pela prisão dele e que a delegada Alana Cardoso, da Polícia Civil, havia mentido a respeito dele nos depoimentos dela.
Em determinado momento, conforme o delegado, Rogers disse que acabaria com todos eles e que, depois dele perguntar o que ele queria dizer com aquilo, o ex-secretário afirmou que reverteria tudo em um processo e que ainda ganharia dinheiro de todos.
Em seguida, Stringuetta disse ter deixado o local.Rogers Jarbas foi preso em setembro do ano passado, suspeito de um esquema que tentou atrapalhar as investigações sobre os grampos no estado.
Ele é suspeito de fazer parte de um plano para tentar afastar o desembargador Orlando Perri da relatoria do inquérito dos grampos no TJMT. Posteriormente, os inquéritos foram remetidos ao STJ.
O Ministério Público Estadual (MPE) fez uma representação contra Rogers por ele ter convocado a delegada Alana Cardoso para prestar esclarecimentos, no mesmo mês em que a denúncia sobre o caso que se tornou conhecido como "grampolândia pantaneira" veio à tona.
A delegada Alana Cardoso teria sido contestada pelo secretário Rogers Jarbas sobre a condução de uma operação na Polícia Civil que, além de monitorar o crime organizado, também investigou duas mulheres: uma ex-assessora da Casa Civil do estado e uma ex-amante do advogado Paulo Taques, que é primo do governador Pedro taques (PSDB) e, naquela época, era secretário estadual.
Segundo o promotor, o secretário de Segurança tentou arrumar indícios para desqualificar a denúncia que Zaque fez à Procuradoria-Geral da República, onde acusa o governador de ter conhecimento sobre o esquema de grampos, mas não ter feito nada para impedir.