Delegado confirma cumprimento de oito mandados
Polícia Civil desencadeou ação nas primeiras horas desta quarta-feira em Cuiabá
O delegado da Polícia Civil Flávio Stringuetta confirmou o nome de oito alvos de mandados de prisão e condução coercitiva que já foram cumpridos na manhã desta quarta-feira (27), na Operação Esdras.
Já foram presos o coronel Airton Siqueira, secretário de Estado de Justiça; o delegado Rogers Jarbas, secretário de Estado de Segurança Pública; o coronel Evandro Lesco, ex-chefe da Casa Militar, e sua esposa Helen Christy; além do advogado Paulo Taques, ex-chefe da Casa Civil, o sargento identificado apenas como Soler o empresário José Marilson.
Há ainda um mandado contra o Michel Ferronato, do setor de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública. Ele está em Goiás e deve se apresentar à Polícia nas próximas horas.
Todos são acusados de participar de uma ação para obstruir as investigações sobre o esquema de grampos ilegais operados por membros da Polícia Militar nos anos de 2014 e 2015.
Além das prisões, houve buscas e apreensões nas residências dos detidos e a condução coercitiva do coronel Carlos Eduardo Pinheiro da Silva, corregedor da Polícia Militar.
Segundo Stringuetta, todos os detidos passarão por audiência de custódia ainda na manhã desta quarta no Fórum da Capital.
O nome da operação é uma referência ao personagem Esdras ("Aquele que ajuda, ajudador, auxiliador"), da tradição judaico-cristã. Esdras liderou o segundo grupo de retorno de israelitas que voltaram da Babilônia em 457 a.C. Descendente de Arão, o primeiro sumo-sacerdote de Israel, Estras era escriba (coposta da lei de Moisés).
Grampolândia
A denúncia sobre o esquema de grampos foi feita pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, que recebeu as primeiras informações sobre o caso em 2015, quando ainda era secretário de Estado de Segurança Pública.
Mais de 700 pessoas teriam sido gravadas ilegalmente, por meio da chamada "barriga de aluguel", quando números de telefones de cidadãos sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça.
Os alvos foram políticos, jornalistas, advogados e médicos, entre outros. Um deles foi o do advogado José do Patrocínio, que foi coordenador jurídico da campanha de Lúdio Cabral (PT) em 2014, adversário de Taques na campanha.