Delação de Silval começa a envolver políticos graúdos do Estado
Ex-governador mencionou o deputado Carlos Bezerra e o senador Wellington Fagundes ao citar fraudes.
A delação premiada do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), homologada pelo ministro Luiz Fuz no Supremo Tribunal Federal (STF), começa a trazer à tona nomes de políticos que foram supostamente beneficiados pelos esquemas de corrupção da gestão passada.
Além do ministro Blairo Maggi, também estão no centro das revelações o deputado federal Carlos Bezerra (PMDB) e o senador Wellington Fagundes (PR).
O ex-governador, que já confessou que era líder da organização criminosa que atuava no Executivo estadual durante sua gestão, firmou acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) para revelar fraudes no Estado.
Conforme reportagem divulgada pelo Jornal Nacional, na sexta-feira (11), Bezerra e Fagundes foram beneficiados, ilegalmente, com dinheiro dos cofres públicos estaduais. O telejornal divulgou trechos da delação premiada e mencionou que os parlamentares federais foram citados.
Segundo a reportagem, Silval teria citado que o deputado federal Carlos Bezerra recebeu R$ 4 milhões para apoiar uma candidatura à Prefeitura de Cuiabá. O nome do candidato ao Alencastro não foi citado.
Apontado como um dos possíveis adversários do governador Pedro Taques (PSDB) na disputa ao Governo do Estado em 2018, o senador Wellington Fagundes teria recebido propinas de construtoras. Conforme o telejornal, Barbosa teria revelado que o parlamentar obteve os valores ilegais a título de doações de campanha.
Doações da JBS
Além da delação de Barbosa, outra complicação para Bezerra e Fagundes se refere à delação da diretoria do grupo J&F, que controla a JBS.
Em relatório entregue ao Ministério Público Federal (MPF), durante delação premiada, o diretor do grupo, Ricardo Saud, mencionou o nome do senador e do deputado federal entre os beneficiados com ajuda financeira da empresa durante as eleições de 2014.
De acordo com a lista de Saud, Bezerra teria recebido R$ 1 milhão em benefício próprio, que seriam utilizados para sua campanha em 2014. Ele recebeu R$ 500 mil diretamente da JBS e outros R$ 500 mil por intermédio do diretório nacional do PMDB.
Além disso, conforme dados do Sistema de Prestação de Contas Eleitorais (SPCE), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bezerra também teria, por meio de doações da JBS, entregado dinheiro a membros da coligação do PMDB em 2014.
Já Wellington, conforme o relatório de Saud, teria sido o parlamentar de Mato Grosso que mais recebeu verbas da JBS durante as eleições de 2014. Conforme levantamento no Sistema de Prestação de Contas Eleitorais (SPCE), o parlamentar recebeu R$ 1,4 milhão, dividos em três parcelas, sendo todas por meio do diretório do PR.
A primeira ocorreu em 17 de julho de 2014, de R$ 500 mil. Em 17 de setembro do mesmo ano, outra doação de R$ 400 mil foi feita à sua campanha. Em 2 de outubro, três dias antes da eleição, foi feito o último aporte, desta vez de R$ 500 mil, na conta de campanha do republicano.
Dos valores que recebeu do frigorífico, Fagundes teria entregue cerca de R$ 34 mil para o então candidato ao governo do Estado, o ex-vereador Lúdio Cabral (PT).
Citação a Maggi
A reportagem do Jornal Nacional ainda cita que o ministro da Agricultura e também ex-governador do Estado, Blairo Maggi, também é alvo da delação premiada de Silval Barbosa.
O peemedebista afirmou que ele e Maggi pagaram R$ 6 milhões ao ex-secretário de Fazenda, Eder Moraes, para que este mudasse sua versão sobre um esquema de corrupção e os inocentasse em depoimento à Justiça.
Após o pagamento, conforme a reportagem, Eder acabou mudando de versão. Ele chegou a se retratar do depoimento e pedir que suas declarações não fossem levadas em conta como prova, mas a Justiça negou os pedidos.
Revelações de Silval Barbosa
As revelações sobre os crimes praticados durante a gestão do peemedebista foi a estratégia adotada pela defesa dele para que o ex-governador conseguisse a liberdade. Ele estava preso desde setembro de 2015, em razão dos crimes contra os cofres públicos, e obteve direito à prisão domiciliar em 13 de junho, logo após confessar os crimes e disponibilizar R$ 46 milhões em bens para a Justiça.
Outro lado
O MidiaNews entrou em contato com o deputado federal Carlos Bezerra e com o senador Wellington Fagundes, porém não obteve respostas até o fechamento desta reportagem.