Delação de Pedro Nadaf será juntada ao depoimento de Silval
Decisão também determina que PF pericie áudios e vídeos da delação de ex-governador
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux determinou que cópias dos termos de declarações que constam na delação premiada do ex-secretário chefe da Casa Civil na gestão de Silval Barbosa (PMDB), Pedro Nadaf, sejam trasladadas para o inquérito relativo à delação do ex-governador. Ambos acordos foram firmados com a Procuradoria-Geral da República (PGR) por envolver autoridades com prerrogativa de foro.
A diligência foi solicitada pelo procurador da República Rodrigo Janot, quando ainda estava no comando do Ministério Público Federal (MPF), e acatada por Fux no último dia 27.
Nessa mesma decisão o ministro também determinou que a Polícia Federal interrogue, no prazo de 90 dias, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), o filho dele Rodrigo Barbosa, o ex-chefe de gabinete Sílvio Cézar Corrêa Araújo, o ex-secretário de Estado da Casa Civil e o empresário Genir Martelli, dono da Martelli Transportes.
Nesse mesmo prazo, a Polícia Federal deve também, por meio do Instituto Nacional de Criminalística, realizar exame pericial nos aparelhos que gravaram os áudios e vídeos e nessas gravações constantes no processo e que foram entregues por Silval Barbosa, seus familiares e seu assessor, nos termos de colaboração com a PGR.
Tais gravações mostram, por exemplo, deputados estaduais da antiga legislatura recebendo maços de dinheiro do ex-chefe de gabinete do governo Sílvio Corrêa, no Palácio Paiaguás. O dinheiro seria referente a um suposto “mensalinho” pago pelo chefe do Executivo aos parlamentares em troca de apoio e governabilidade.
O inquérito sob relatoria de Luiz Fux apura dezenas de fatos criminosos delatados por Silval Barbosa e companhia, cometidos por uma organização criminosa instalada no Governo do Estado de Mato Grosso. É uma continuidade da operação Ararath e que teve seu mais recente desdobramento com a operação Malebolge, no dia 14 de setembro, quando autoridades do Poder Legislativo, do Tribunal de Contas do Estado, prefeitos e empresários foram alvos de mandados de busca e apreensão e afastamentos.
Em sua decisão, o ministro Luiz Fux afirmou que os pedidos de diligências formulados pela PGR estão fundamentados nos indícios de prática criminosa já acostados aos autos. “A suspeita de irregularidades praticadas no ‘alto escalão do governo do Estado de Mato Grosso’ demanda esclarecimentos quanto à eventual participação de detentor de prerrogativa de foro perante o Supremo Tribunal Federal, no envolvimento, em tese, em organização criminosa”. Por conta disso, deferiu os pedidos.