Curso da Unemat trata impeachment de Dilma como golpe
Aulas serão ministradas no campus de Cáceres da Universidade Estadual de Mato Grosso
A Unemat (Universidade do Estado de Mato Grosso) vai oferecer o curso de extensão “O Golpe de 2016 e o Futuro da Democracia no Brasil”, sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Rouseff, em 2016. A disciplina será ministrada no campus Jane Vanini, em Cáceres.
As aulas começam no dia 5 de abril, com a projeção do documentário francês “Brasil – o Grande Passo para Trás”, dos jornalistas Frédérique Zingaro e Mathilde Bonnassieux. Por ser de extensão, o curso não faz parte da grade curricular obrigatória e está aberto para quem não é estudante da instituição.
Com a implantação, a Unemat se junta a outras universidades, que também propuseram conteúdos semelhantes, começando pela Universidade de Brasília. Até o início de março ao menos 15 instituições de ensino do País já haviam aprovado o curso.
Entre os temas abordados na Unemat, estão palestras sobre o “discurso da mídia sobre o golpe” e as “rupturas institucionais”, que serão ministradas pelos professores Silvia Regina Nunes e Paulo Alberto dos Santos Vieira, respectivamente.
Também haverá espaço para a discussão do projeto que cria a escola sem partido, uma proposta defendida por conservadores e liberais. A professora Heloisa Salles Gentil falará sobre o tema pelo aspecto do “golpe e da despoltização da educação”.
A polêmica sobre o “Golpe 2016” começou em fevereiro na UnB, quando o professor Luis Felipe Miguel anunciou a criação do curso. Na época, o ministro da Educação, Mendonça Filho, chegou a acionar o Ministério Público.
A iniciativa da Unemat foi recebida com indignação por pessoas contrárias à tese do golpe.
“Esse tipo de curso que tem se difundido pelas universidades públicas brasileiras como erva daninha é mais do mesmo: tentativa da esquerda de dominar a narrativa dos fatos, reescrever a História conforme seus objetivos e moldar o ideário popular de acordo com o que lhes é conveniente do ponto de vista político e ideológico. Ocorre que, graças à facilidade de acesso à informação por toda a população, fica visivelmente risível uma tentativa destas”, afirmou o advogado Fernando Henrique Leitão, do Instituto Caminhos da Liberdade, que atua em Mato Grosso.
Segundo Leitão, a tática é conhecida e usada por governos totalitários de esquerda, “da União Soviética à Venezuela de Maduro, passando pela ilha-prisão dos irmãos castro, Cuba, e também Coréia do Norte”.
“Chamar o processo de impeachment da ex-presidente Dilma de ‘golpe’ tem por escopo justamente de negar os fatos, ignorar as leis e reescrever a História de forma a colocar a esquerda como eterna vítima e nunca algoz, e isso é o que mais vemos nas universidades públicas que se encontram sob o jugo de alguns militantes de esquerda fazendo às vezes de professores”, disse.
Ainda conforme o advogado “é preciso repensar esse aparelhamento ideológico educacional como vem sendo proposto, por exemplo, pelo Projeto Escola Sem Partido, para evitar esse tipo de excrescência nas academias sustentadas com dinheiro dos pagadores de impostos”.
A reportagem procurou a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, à qual a Unemat é vinculada. A assessoria de imprensa informou que, por causa da autonomia da universidade, não iria se posicionar sobre o curso.
A Unemat se posicionou por meio de nota. Segundo a assessoria, o ensino de graduação é de competência da Pró-Reitoria de Ensino e Graduação e sua oferta “passa necessariamente pela aprovação do Conselho de Ensino e Pesquisa e Extensão (Conepe).
“Já as atividades de extensão, que incluem cursos, eventos, projetos e programas passam por institucionalização junto à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, e podem ser coordenados por docentes e profissionais técnicos da Universidade, que têm autonomia para propor conteúdos”, diz a nota.
“O evento de extensão ‘O Golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil1 encontra-se institucionalizado na PROEC, conforme parecer nº 080/2018, sob coordenação da Assessoria de Gestão de Eventos, Cultura e Comunicação, da Diretoria de Unidade Regionalizada do Câmpus Jane Vanini, em Cáceres, com carga horária de 30 horas/aula. Destacamos, no entanto, que o evento é facultativo, de livre participação e não integra a grade obrigatória de nenhum curso e/ou disciplina”, diz a nota.