Criminoso que aplicava 'boa noite cinderela' em pacientes com câncer é preso
Maior parte das vítimas eram idosos que aguardavam por atendimento em hospitais de MT e outros estados
Francisco Francioni, de 67 anos, preso no dia 19 de setembro, em Alvorada do Norte (GO). Ele é suspeito de aplicar golpes em pacientes de hospitais, fazendo com que eles tomassem uma mistura conhecida como 'boa noite cinderela”. Após as vítimas desmaiarem, o golpista fugia com os pertences delas.
Francisco é natural de Santa Catarina está no crime desde a juventude em Mato Grosso e outros estados. Ele já participou de sequestros, roubou bancos e por fim, aplicava golpes em pacientes de hospital diagnosticadas com alguma doença.
Em depoimento à polícia, ele confessou diversos crimes e disse que já foi condenado a mais de 120 anos de prisão.
“Muito dinheiro, nós peguemos dinheiro em saco. Meu passado é pesado, doutor”, disse ele.
Francisco Francioni passou mais de 20 anos preso, mas 2011, conseguiu fugir. Desde então, era procurado pela Justiça.
No entanto, foi recapturado há 11 dias, usando nome falso, em Goiás.
Segundo a polícia, o golpista agia principalmente em hospitais especializados no tratamento do câncer.
Ainda segundo a polícia, ele entrava nas salas em que pacientes aguardam por atendimento, puxava conversa e mentia. Dizia que tinha se curado da doença graças a um remédio caseiro, feito com ervas medicinais.
Uma das vítimas do golpista foi o operador de máquinas Ênio Rodrigues Correia, de 52 anos, que estava em um hospital de Cuiabá, por causa de um nódulo no pescoço.
“Ele falou que era tenente aposentado do exército e que trabalhou muito com índios e, por isso, tinha uma receita de raizada que curava a doença em 15 dias.", contou.
A conversa entre Ênio e Francioni continuou do lado de fora do hospital.
“Dali a pouco, ele veio com um copo descartável, misturando um negocinho. No desespero da doença, peguei e bebi. Não lembro mais nada”, relatou Ênio.
Ênio desmaiou e Francioni fugiu levando o celular e a carteira da vítima, com dinheiro e o cartão do banco. Um prejuízo para o operador de máquinas, de R$ 7 mil. Além disso, Ênio ficou oito dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
“Os médicos me acharam lá quase sem pulso. Ainda bem que me socorreram, se não, eu tinha ido”, comentou.