Corregedoria vai abrir processo contra PM preso em operação
Ele é acusado de passar informações para uma quadrilha especializada em assalto a bancos
A Corregedoria da Polícia Militar vai abrir um processo administrativo disciplinar (PAD) contra o soldado Emanuel da Silva Souza, preso ontem (4) durante a operação “Luxus”, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).
Ele é acusado de passar informações privilegiadas para uma quadrilha especializada em assalto a bancos em Mato Grosso, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro.
Quinze membros da organização criminosa também foram presos durante a operação. Outros dois são considerados foragidos.
“Assim que recebermos toda a documentação oriunda da investigação da GCCO vamos instaurar um processo administrativo para apurar toda a participação desse policial militar nos crimes”, afirmou o corregedor-geral da PM, coronel Alexandre Mendes Corrêa.
Caso fique confirmada a participação do soldado nos crimes, ele poderá ser expulso da corporação.
Emanuel da Silva ingressou na Polícia Militar em 2011. Ele trabalhava na 6ª Companhia Independente de Polícia Militar em Poconé (104 km ao Sul de Cuiabá).
O soldado foi preso em sua residência em Poconé e, após prestar depoimento, foi encaminhado para o Presídio de Santo Antônio do Leverger (35 km ao Sul da Capital), próprio para militares em conflito com a lei.
Quadrilha presa
Conforme o delegado Diogo Santana, da GCCO, todos os criminosos, com exceção do PM, são da região do CPA, em Cuiabá, e se intitulavam como “família”.
Segundo o delegado, a suspeita é de que eles fizeram pelo menos 10 ataques a bancos nos últimos seis meses.
“Mas só conseguimos comprovar até agora o assalto ao Banco do Brasil de Poconé em fevereiro desse ano e no Banco do Brasil da Avenida do CPA, no ano passado”, disse.
De acordo com o delegado, para realizar os assaltos, a quadrilha utilizava um equipamento que desligava todos os alarmes das agências
“Eles geralmente entravam pela casa do lado do banco, seja ela uma residência ou um comércio, quebravam a parede, instalavam um dispositivo que desligava o alarme e o sistema de monitoramento do banco e, a partir daí, eles tinham um acesso amplo ao banco. Ficavam lá algumas horas cortando o cofre. Alguns ataques eles tinham sucesso, subtraíam o dinheiro, outras era apenas tentado, eles não conseguiam ter acesso ao dinheiro”, explicou.
Diogo Santana revelou ainda que os criminosos utilizavam o dinheiro roubado para pagar viagens e carros de luxo, além de passeios de lancha e helicóptero.
Foram presos Marcus Vinicius Fraga Soares, vulgo “Pato”, Gilberto Silva Brasil, conhecido como “Beto”, Cleyton Cesar Ferreira de Arruda, Thassiana Cristina de Oliveira (esposa de Cleyton), Junior Alves Vieira, Elvis Elismar de Arruda Figueiredo, Diego Silva dos Santos, Hian Vitor de Oliveira, Kaio da Silva Nunes Teixeira, Daynei Aparecido da Costa, Emanuel da Silva Souza (policial militar), Lubia Camilla Pinheiro Gorgete, Marcelo Alberto dos Santos, Augusto Cesar Ribeiro Macaúbas, vulgo “Gordão” e Jurandir Benedito da Silva, conhecido como “Jura”.
Continuam foragidos Robson Antônio da Silva Passos, vulgo “Robsinho” e Julyender Batista Borges, conhecido como “Juju”.