Corregedoria conclui que PMs simularam confronto em Matupá
Carlos Henrique Scheifer foi morto no dia 13 de maio; tiro teria sido disparo por colega
A Corregedoria da Polícia Militar concluiu que três PMs simularam um confronto com bandidos para encobrir a morte do tenente Carlos Henrique Scheifer, do Batalhão de Operações Especiais (Bope), no dia 13 de maio.
Scheifer foi atingido com um tiro de fuzil AK-47 no abdômen, durante uma ação do Bope, e imediatamente encaminhado ao hospital de Matupá (695 km da Capital), mas não resistiu e morreu antes de chegar na unidade médica.
Na data do crime, os militares que acompanhavam o tenente afirmaram que ele teria morrido durante um suposto confronto com criminosos. No entanto, um exame de balística apontou que o disparo saiu da arma de um colega policial, que o acompanhava na operação.
Na segunda-feira (28), o corregedor homologou o inquérito sobre a morte do tenente. Ao encaminhar o procedimento ao Ministério Público Estadual (MPE), ele solicitou que os autos retornem à PM, para que sejam feitas novas investigações.
“Tudo leva a crer, a princípio, que o que eles colocaram no boletim de ocorrência foi adverso ao fato. O que aconteceu foi um erro de procedimento, onde a própria guarnição alvejou o tenente, que veio a óbito”, declarou o corregedor Carlos Eduardo Pinheiro da Silva.
Ele frisou que o suposto confronto, conforme relatado pelos militares, foi descartado. Para que os fatos que antecederam a morte do tenente sejam esclarecidos, o corregedor ressaltou que serão necessárias novas análises.
“Faltam alguns elementos para a gente ter convicção formada. Por isso estamos solicitando ao MPE que retorne os autos para cumprirmos diligência, para que os fatos fiquem mais claros”, explicou.
Entre as novas apurações que devem ser feitas pela PM, caso o MPE acolha o pedido da instituição, está a reconstrução da cena do crime.
“Restam algumas perícias, entre elas a da reconstituição do local, que vai ser importante para termos a real visão do que aconteceu. Vamos reconstruir a posição em que estava cada um dos policiais, para entendermos de onde partiu o tiro e em que local estava o tenente quando foi alvejado”.
No inquérito encaminhado ao MPE, a corregedoria opinou pelo indiciamento dos três militares – um sargento, um cabo e um soldado – que acompanhavam Scheifer na data em que foi assassinado.
No pedido de indiciamento, a PM apontou que os militares teriam cometido os crimes de falsidade ideológica, comunicação falsa de crime e homicídio doloso.
“Esses militares, atualmente, foram remanejados para o setor administrativo da PM, pois foram afastados do serviço operacional”, contou.
Conforme Silva, não há previsão para que o MPE responda ao pedido da Corregedoria. Porém, em caso de acolhimento da solicitação, ele ressaltou que as investigações serão reabertas imediatamente.
“Precisamos ter mais claridade dos fatos, para termos certeza de como tudo aconteceu”, concluiu.
A morte do tenente
De acordo com a Polícia Militar, o tenente estava em uma missão na cidade para combater assaltantes de banco da modalidade “Novo Cangaço”, que estariam planejando um roubo na região.
Em 15 de maio, após a morte do militar, mais de 140 policiais militares foram encaminhados até a cidade para ajudar nas buscas.
Quatro suspeitos foram presos na manhã do dia 13 de maio, porém os policiais ainda estavam em busca do restante da quadrilha.
Dois criminosos, que também eram suspeitos de participarem do suposto ataque ao tenente, foram assassinados dias depois, em confrontos com a Polícia.
A caça pelo restante do bando só foi encerrada após 15 dias, mesmo tendo a informação de que ainda haveria dois assaltantes foragidos.