GAFFFF Sorriso começa dia 23 e reunirá governadores de todo o Brasil
Coronel Lesco admite ter sido mentor de plano contra Perri
Em depoimento à Polícia Civil, militar se emocionou ao falar da situação da esposa
O ex-chefe da Casa Militar de Mato Grosso, coronel Evandro Lesco, confessou em depoimento à Polícia Civil que foi dele a ideia de gravar o desembargador Orlando Perri, que estava à frente dos inquéritos sobre o grampos ilegais em Mato Grosso.
A confissão foi feita em depoimento dado aos delegados Ana Cristina Feldner e Flávio Stringueta, antes de o Superior Tribunal de Justiça avocar (chamar para si) as investigações. “Isso tudo que aconteceu, da tentativa de filmar a reunião que poderia estar presente o relator, partiu de minha iniciativa”.
A ideia de gravar Perri tinha o propósito de obter alguma informação que pudesse resultar na suspeição do magistrado.
Ele contou que, quando estava cumprindo a primeira prisão preventiva, o tenente-coronel José Henrique Soares, que revelou o esquema à Polícia Civil, lhe ofereceu ajuda como amigo.
“Quando estava na academia ainda, em uma das visitas, minha esposa [Helen Lesco, que também está presa] me reportou que o Soares tinha ido na minha residência, se apresentou e disse que ele tinha assumido a função de escrivão do IPM [inquérito policial militar sobre os grampos]. Ela me relatou na visita íntima que ele queria ajudar”, relatou o coronel.
“Depois que tive a cautelar convertida para prisão domiciliar, ele volta a tentar falar comigo. Antes disso, minha esposa falou que ele teria procurado ela, teve uma ocasião que eu ainda estava na academia, que ele procura lá em casa e queria apresentar um áudio, que também poderia ser usado para me beneficiar. Minha esposa, na visita, relata isso, mas eu não conheço o conteúdo do áudio”, contou.
Ele narrou ainda que, assim que conseguiu reverter a cautelar de prisão preventiva para prisão domiciliar, em agosto deste ano, foi contatado novamente por Soares, que queria prestar solidariedade e oferecer ajuda.
“Passou uma semana que minha prisão cautelar preventiva foi revertida em prisão domiciliar, no dia 18 de agosto, eu vou para casa e nessa primeira semana Soares manda mensagens para minha esposa querendo me ver, que é um amigo de turma. Nessa primeira semana, eu disse que não queria receber ninguém. Na segunda semana, falei que queria vê-lo. Ele queria se solidarizar comigo. E a gente tem uma conversa na minha residência”, relatou.
Para despistar as visitas que Lesco recebia de Soares, ele pedia para que Helen Christy buscasse o tenente-coronel no estacionamento de um posto de combustível, com o intuito de não prejudicar o escrivão e de não quebrar sua cautelar.
“Eu que determinei para minha esposa buscá-lo no estacionamento do posto. Fiz isso preocupado em não quebrar minha cautelar e não queria prejudicar Soares. Ficava preocupado porque tinha ciência que ele estava na função de escrivão do IPM, por isso que tomei essa cautela, que tomei essa iniciativa de não ficar registro dele nas câmeras do condomínio. Tive essa primeira conversa com Soares, ele fala que queria ajudar, que tinha caído nesse IPM por obra de Deus. Tivemos uma conversa normal e tomamos cerveja. Depois disso ele começa me visitar, de uma forma totalmente amistosa, tranquila. Vez em quando ele levava peixe, levava cerveja. Em outras ocisões eu fazia o peixe pra ele jantar ou ir almoçar e sempre conversávamos”, explicou.
Início de tudo
Sobre o áudio de uma conversa que Soares teve com o cabo da PM, Euclides Luiz Torezan, no Comando Geral da Polícia Militar, que seria utilizado para “ajudar” o coronel, Lesco disse que mesmo sabendo que o escrivão gravou o encontro de forma ilegal, não desconfiou da atitude do amigo.
Segundo o coronel, foi a partir desse momento que ele teve a ideia de sugerir a gravação do desembargador.
“Ele falou se a gente pudesse usar na defesa, para algum benefício meu, ele estaria pronto para me ajudar. Eu, como já tinha perdido qualquer inibição com relação ao comportamento dele, dou a ideia, proponho em uma conversa lá em casa e falo: ‘Soares se você tem um equipamento melhor e lá tiver uma reunião que possa me beneficiar’. Ele falou: ‘se tiver alguma coisa pra te beneficiar, eu estou aí pra te ajudar’, eu que proponho isso’”.