Contas públicas registram pior primeiro semestre em 21 anos
Despesas superaram receitas em R$ 56,1 bilhões, segundo o Ministério da Fazenda
As contas públicas registraram novo rombo em junho. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Fazenda nesta quarta-feira, o governo central (composto por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) apresentou déficit primário de R$ 19,8 bilhões. Esse é o pior número da série histórica – iniciada em 1997 – para o mês. No acumulado do ano, o saldo negativo chega a R$ 56,1 bilhões. Ele também é recorde para o período.
De acordo com relatório do Tesouro, em 12 meses, o déficit primário do governo central atingiu R$ 182,8 bilhões, ou 2,83% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país). O número está bem acima da meta fiscal fixada para o ano, de R$ 139 bilhões. Diante do quadro, a equipe econômica já avalia a possibilidade ampliar o rombo de 2017.
Segundo o documento, um dos motivos pelos quais o déficit das contas foi elevado no primeiro semestre de 2017 foi o pagamento de precatórios. O texto esclarece que “a maior parte dos pagamento de precatórios, habitualmente efetuada em novembro e dezembro, em 2017 foi antecipada para maio e junho”. A ideia do governo foi economizar com o pagamento de juros. Em maio e junho, foram pagos R$ 20,3 bilhões em sentenças judiciais e precatórios, contra R$ 2,2 bilhões no mesmo período em 2016.
Entre janeiro e junho, o total das despesas primárias foi de R$ 604,279 bilhões, o que representa um crescimento real (já descontada a inflação) de 0,5% sobre 2016. Já a receita líquida total foi de R$ 548,187 bilhões, com uma queda real de 2,7%.