Ciência tenta 'explicar' identidade de gênero com DNA, mas ativistas levantam preocupações
Iniciativa europeia e americana coletou sangue de 10.000 pessoas para mapear genoma e comparar DNA de pessoas transgêneros e não transgêneros
Um consórcio de cinco instituições de pesquisa na Europa e nos Estados Unidos -- incluindo o Centro Médico da Universidade de Vanderbilt, a Universidade George Washington e o Hospital Infantil de Boston -- está buscando no genoma algumas pistas que nos ajudem a explicar o porquê de algumas pessoas serem transgêneros e outras não, informa a Reuters.
Para entender qual o papel que o genoma desempenha na identidade de gênero, cientistas extraíram DNA das amostras de sangue de 10.000 pessoas: 3.000 deles transgêneros e o restante não transgênero, diz a Reuters. O objetivo é comparar cerca de 3 milhões de variações genéticas em todo o genoma dos participantes.
Atualmente, segundo a agência de notícias, a única maneira de determinar se as pessoas são transgêneros é pela autoidentificação. Enquanto ativistas afirmam que isso deveria ser suficiente, cientistas decidiram levar essa busca para o laboratório.
Sabendo quais as variações que as pessoas transgêneros têm em comum, e comparando esses padrões com aqueles das pessoas cisgêneros (aqueles que se identificam com o gênero em que nasceram), pesquisadores podem entender melhor o que ocorre – inclusive, se os genes têm ou não papel preponderante.
"Se a característica é fortemente genética, pessoas que se identificam como trans irão compartilhar mais o mesmo genoma entre si", disse à Reuters Lea Davis, líder do estudo e professora-assistente de medicina do Centro Médico da Universidade de Vanderbilt.
Ativistas e pessoas trans, no entanto, estão reagindo, diz a Reuters. Isso porque, se uma “causa" for encontrada, ela teoricamente poderia levar a uma "cura", potencialmente abrindo a porta para as chamadas ‘terapias reparadoras’ -- semelhantes às que tentam transformar homossexuais em heterossexuais. Outros suscitam preocupações sobre os direitos daqueles que podem se identificar como trans, mas que não possuem "provas" biológicas.
Nos Estados Unidos, a busca pelos fundamentos biológicos de transgêneros está assumindo nova relevância à medida que a batalha por direitos se desenrola na arena política.
Na semana passada, o presidente Donald Trump anunciou no Twitterque pretende proibir pessoas transgênero de servir nas forças armadas. Ainda, um dos primeiros atos de sua administração foi revogar a decisão de Obama de permitir que pessoas transgêneros utilizem banheiros de sua preferência em escolas públicas.