Cheque de empresa teria pago Toyota para ex-secretário de MT
Testemunha confirmou identidade de Arnaldo Alves
Relatório elaborado pela Delegacia Fazendária (Defaz) identificou que o ex-secretário de Estado de Planejamento, Arnaldo Alves, teria usado um cheque de R$ 70 mil emitido pela Consignum, do empresário Willians Mischur, para pagar parte do valor de uma Toyota RAV4.
A descoberta foi feita a partir da quebra de sigilo bancário de Mischur e da empresa, na ação penal derivada da 2ª e 3ª fase da Operação Sodoma, que apura suposto esquema de exigência de propina a empresários em troca de contratos com o Estado.
Willians Mischur, que é apontado como vítima do esquema, confessou ter pagado mais de R$ 18 milhões em propina ao grupo liderado pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB) para que a Consignum continuasse prestando serviços ao Executivo.
O que chama a atenção é que Arnaldo Alves não é investigado nesta ação penal e, até então, seu nome sequer havia sido citado como beneficiário das propinas pagas pelo empresário. O ex-secretário, todavia, é réu confesso da ação originada da 4ª fase da Sodoma.
As suspeitas da Defaz começaram após a identificação de que um cheque de R$ 70 mil da Consignum, emitido em 25 de julho de 2014, teve como beneficiária a D’Angelo Veículos Eireli –ME (D’Angelo Veículos), empresa atualmente fechada.
O então dono da concessionária, Anderson Plauto Oliveira de Freitas, foi convocado a depor no dia 29 de setembro de 2016 e explicou que o cheque foi usado na negociação de um veículo por parte de um cliente chamado Arnaldo, “o qual queria comprar um veículo RAV4, cor cinza galáctico”.
“Eu não possuía tal veículo para venda e procurei em outros Estados a fim de atender o cliente. Encontrei o veículo solicitado em São Paulo (SP), onde o próprio Arnaldo foi quem buscou o veículo na cidade de Brasília (DF), vindo de transportadora da cidade de São Paulo”, disse Anderson Freitas, na oitiva conduzida pela delegada Cleibe Aparecida.
De acordo com Anderson Freitas, o valor total da transação foi superior aos R$ 70 mil do cheque. Conforme a tabela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), o valor atual do modelo adquirido por Arnaldo Alves em 2014 é de R$ 93,7 mil.
Identidade confirmada
Para tirar a dúvida sobre a identidade do cliente “Arnaldo”, uma equipe da Defaz foi até a casa de Anderson Freitas, no Bairro Jardim das Américas, em Cuiabá.
Na ocasião, a equipe foi atendida pelo pai do empresário, Angelo Tadeu de Freitas, “sendo que este informou que seu filho estava viajando”.
Apesar da ausência do filho, Angelo Freitas confirmou para os investigadores que o “Arnaldo” citado no depoimento era o ex-secretário Arnaldo Alves de Souza Neto, “sendo o reconhecimento feito através das fotos anexas a este relatório”.
“O Sr. Angelo afirmou que ajudava seu filho na empresa, portanto, frequentava o local. Declarou, ainda, que viu Arnaldo Alves de Souza Neto na D’Angelo Veículos para negociar a compra do veículo RAV4, cor cinza”, diz trecho do relatório.