Casos de feminicídio de MT podem ser maiores, diz defensora
Este tipo de crime é caracterizado pela morte de uma mulher exclusivamente por questão de gênero
No dia 21 de novembro deste ano, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) publicou levantamento em afirmou que entre janeiro e setembro foram registrados 36 casos de feminicídios em Mato Grosso. Este tipo de crime é caracterizado pela morte de uma mulher exclusivamente por questão de gênero.
Conforme pontuou a defensora Rosana Leite, uma das referências no combate à violência contra mulher no estado, contudo, os dados não representam o número real de feminicídios em Mato Grosso.
"A lei do feminicídio adentrou no Brasil por meio de mudança no Código Penal em 2015, então eu entendo que ainda não há um preparo para diagnosticar no início se o crime que ocorreu é um feminicídio ou não. Então muitas vezes o que é tratado como homicídio pode sim ser caracterizado como um crime por questão de gênero", disse.
Ela afirmou, ainda, que em sua concepção 90% dos casos de mortes de mulheres ocorrem pela questão do 'ser mulher', seja dentro ou fora de casa. O que ocorre, no entanto, é que se descobre que a morte da mulher teve motivação de gênero apenas no decorrer da investigação criminal. Nas estatísticas, segundo sua concepção, os crimes acabam descritos como homicídio.
"Feminicídios são delitos que podem ser evitados. Se nós podemos prevenir isso as estatísticas deveriam nos ajudar, mas elas não estão nos ajudando, pelo menos em Mato Grosso", finalizou.
Outras motivações
Ainda de acordo com dados da Sesp, foram 70 mortes de mulheres por outras motivações. São 40% por motivação 'passional', 27% por envolvimento com drogas, 7% por rixa, 7% por vigança, 2% por pedofilia, 2% por álcool e 1% por ambição.