Cabral é denunciado e pode virar réu pela décima vez na Lava Jato
Ex-governador do Rio de Janeiro é acusado de 36 crimes de lavagem de dinheiro pelo MPF
Os procuradores da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro apresentaram nesta sexta-feira à Justiça Federal mais uma denúncia contra o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB).
O Ministério Público Federal acusa o peemedebista e outras cinco pessoas do crime de lavagem de dinheiro no pagamento de propina de 1,7 milhão de reais a Cabral pela construtora FW Engenharia. O dinheiro teria sido retirado de contratos com o governo do Rio durante a gestão do ex-governador, entre 2007 e 2014. Caso o juiz federal Marcelo Bretas, responsável pelos processos da Lava Jato no Rio, aceite a denúncia do MPF, Cabral se tornará réu pela décima vez em investigações da operação.
Segundo os procuradores, a FW, do empresário Flávio Werneck, usou a empresa de fachada Survey Mar & Serviços Ltda. para fazer pagamentos fracionados às empresas Estalo Comunicação, de Maurício Cabral, irmão de Sérgio Cabral, Araras Empreendimentos, de Susana Neves, ex-mulher do peemedebista, e LRG Agropecuária, de Carlos Miranda, apontado como um dos operadores financeiros do esquema de corrupção liderado pelo ex-governador.
Os pagamentos aos prepostos de Cabral teriam sido operacionalizados pelo contador da construtora, Alberto Conde, que administrava a Survey, uma empresa supostamente dedicada a reparos e manutenção de computadores e registrada em nome da filha de Conde e de um ex-funcionário dele.
A empresa de Maurício Cabral, uma agência de publicidade, recebeu da Survey, de acordo com as investigações, um cheque de 240.000 reais em 2011.
A Araras Empreendimentos, de Susana Neves, foi beneficiária de 31 depósitos bancários pela empresa, que totalizam 1,2 milhão de reais, entre outubro de 2011 e dezembro de 2013. As transferências à empresa da ex-mulher de Cabral, que é mãe do deputado federal Marco Antonio Cabral (PMDB-RJ) e prima do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), foram fracionadas em valores que variaram entre 6.000 reais e 56.310 reais. De acordo com os procuradores, a prática pretendia não chamar atenção de órgãos de controle, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Já a conta da LRG Agropecuária, empresa de consultoria de Carlos Miranda, recebeu 193.850 reais da Survey por meio de quatro cheques depositados entre dezembro de 2011 e abril de 2012. Usada por Miranda para lavar dinheiro do esquema de corrupção no governo Cabral, a LRG chegou a faturar 2,3 milhões de reais em 2007, quando o peemedebista chegou ao Palácio Guanabara, valor reduzido a 7.000 reais em 2015, quando Sérgio Cabral já não era mais governador.
Na denúncia do MPF, são atribuídos a Sérgio Cabral, Flávio Werneck e Alberto Conde 36 crimes de lavagem de dinheiro. Susana Neves é acusada do mesmo crime 31 vezes, Carlos Bezerra, quatro vezes, e Maurício Cabral, uma vez.