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Cabo da PM acusa membros do MPE de participação e quer delação
Cabo Gerson Correa falou de "verba secreta no Gaeco"; Naco negou pedido de delação
O cabo da PM Gerson Correa Júnior acusou membros do Ministério Público Estadual (MPE) de envolvimento com o esquema conhecido como Grampolândia Pantaneira, que consistiu em uma série de interceptações telefônicas ilegais feitas pela Polícia Militar durante a gestão do ex-governador Pedro Taques (PSDB).
As acusações do PM foram feitas por escrito próprio MPE, em 16 de abril deste ano, em um pedido de colaboração premiada ao Naco (Núcleo de Ações de Competência Originárias).
O cabo é réu confesso na ação penal que tramita na 11ª Vara Militar de Cuiabá.
Dos nove itens apresentados como criminosos, o cabo da PM afirmou que quatro dizem respeito à suposta participação de membros do MPE.
Um deles é a “extensão da Operação Metástase (2015), via ‘barriga de aluguel’ determinada pelos promotores de Justiça Marco Aurélio de Castro e Samuel Frungilo”.
Ambos, na ocasião, eram membros do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
Outras acusações dizem respeito a “manipulação seletiva de áudios e vídeos em operação do Gaeco” e “omissão de resultados de auditoria do Sistema Guardião, de forma proposital, motivado pela constatação de irregularidade na inserção de terminal telefônico”.
O cabo da PM ainda cita a existência de uma “verba secreta do Gaeco”.
O procurador de Justiça Domingos Sávio de Barros Arruda, coordenador do Naco, defendeu os membros do MPE e negou o pedido do PM de colaboração premiada.
“Os fatos, lidos em todas as suas circunstâncias, não deixam dúvida de que a versão apresentada pelo pretenso colaborador, neste procedimento, não corresponde com a realidade, posto que agride a lógica, a corêrencia e, pode-se dizer, até mesmo a inteligência mediana", escreveu o chefe do Naco.
O procurador viu divergências em pontos levantados pelo cabo da PM durante a audiência. Em alguns casos, Domingos Sávio ainda alega que diversas informações levadas por Gerson já foram esclarecidas em audiências realizadas na Justiça e até em inquéritos policiais. Saiba mais.