Bombeiros suspendem investigação contra tenente por morte de aluno em aula prática em MT
Izadora Ledur atuava como instrutora no dia em que Rodrigo Claro passou mal e depois morreu. Tenente já apresentou seis atestados médicos da época do caso até julho deste ano.
O procedimento administrativo que apura a conduta da tenente do Corpo de Bombeiros, Izadora Ledur de Souza Dechamps, acusada da morte do aluno Rodrigo Patrício Lima Claro, de 21 anos, foi suspenso pelos bombeiros. Rodrigo morreu depois de passar mal durante um treinamento aquático em novembro de 2016, em Cuiabá, em que Ledur era instrutora.
Ledur, que recentemente virou ré por tortura na Justiça, apresentou o sexto atestado médico para tratamento de saúde. Com isso, conforme nota divulgada nessa terça-feira (8), o Corpo de Bombeiros declarou que a apuração ficará suspensa até que a tenente retorne da licença médica. Ledur está de atestado até o dia 15 de outubro.
A tenente já apresentou seis atestados médicos para tratamento de saúde desde a época em que o caso foi registrado até julho deste ano. Contudo, detalhes do tratamento não foram divulgados, nem pelos bombeiros, nem pela tenente. O G1 não conseguiu contato com a militar.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o estatuto dos militares estabelece o direito de defesa do militar que responde questionamentos a um instituto, dentro da corporação, chamado de Conselho de Justificação. O procedimento foi aberto em maio deste ano.
Um inquérito policial militar, que antecedeu ao conselho, apontou que a tenente foi negligente e que também não há indícios de cometimento de homicídio ou tentativa de homicídio contra Rodrigo Claro.
O conselho tem prazo de até 45 dias para emitir um relatório a respeito da situação em que a tenente se envolveu. Segundo os bombeiros, é exigida a presença de Ledur em cada sessão do conselho, existindo a possibilidade do processo seguir à revelia se não houver resposta. No entanto, Ledur nunca compareceu às sessões, já que apresentou atestados constantemente.
“É sabido que a tenente Ledur apresentou atestados de licença médica e que a impossibilidade do seu comparecimento às reuniões do conselho fazem parar a contagem do tempo para o prazo exigido no vigor da sua licença”, diz trecho da nota dos bombeiros.
A tenente teria a oportunidade, nas reuniões do conselho, de se explicar e falar sobre o que aconteceu no dia em que o aluno se afogou no treinamento aquático. O conselho poderá concluir se Ledur está ou não incapaz de permanecer no Corpo de Bombeiros.
A Perícia Médica da Secretaria de Gestão do Estado de Mato Grosso (Seges), ao validar um atestado médico apresentado por um servidor, automaticamente declara que o seu superior licencie o servidor no prazo coberto pelo atestado. A licença automática impede que o superior se negue a concedê-la.
Rodrigo Claro
Rodrigo morreu no dia 15 de novembro, após passar mal em uma aula prática na Lagoa Trevisan, em Cuiabá, na qual a tenente Izadora Ledur atuava como instrutora. De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual, Rodrigo demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre e outros exercícios.
“Os métodos abusivos praticados pela instrutora consistiram tanto de natureza física, por meio de caldos com afogamento, como de natureza mental utilizando ameaças de desligamento do curso ”, como consta na denúncia.
Ainda segundo o órgão, depoimentos durante a investigação apontam que ele foi submetido a intenso sofrimento físico e mental com uso de violência. A atitude, segundo o MPE, teria sido a forma utilizada pela tenente para punir o aluno pelo mal desempenho.