Blairo diz que não participou de atos ilícitos citados por Nadaf
Ministro da Agricultura afirma que ainda não teve acesso ao acordo de colaboração do ex-secretário
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), negou em nota ter participado dos atos ilícitos que teriam sido mencionados na delação premiada do ex-secretário chefe da Casa Civil do Estado, Pedro Nadaf.
Nadaf firmou termo de colaboração premiada com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A delação foi homologada em março pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), mas ainda permanece sob sigilo.
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Na delação, Nadaf citou possíveis crimes cometidos por Blairo Maggi e pelo deputado federal Carlos Bezerra (PMDB). Em razão de ambos possuírem foro privilegiado, o acordo foi firmado na PGR e não no Ministério Público Estadual (MPE).
“O ministro Blairo Maggi informa não ter conhecimento ainda do teor do acordo de colaboração premiada firmado por Pedro Jamil Nadaf, porém afasta, desde já, qualquer possibilidade de sua participação em atos ilícitos como homem público e empresário, repudiando qualquer tentativa contrária a isso”, disse Maggi, na nota.
Blairo também afirmou que está “absolutamente tranquilo” com a situação, uma vez que “confia na apreciação imparcial dos órgãos responsáveis pela apuração dos fatos e no Poder Judiciário”.
A confirmação de que Pedro Nadaf firmou a delação foi feita pela juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, durante audiência ocorrida na última terça-feira (04).
Nadaf se comprometeu, no acordo, a devolver R$ 17,5 milhões aos cofres públicos para compensar os desvios cometidos durante os anos em que ocupou cargos na gestão Silval Barbosa (PMDB). Ele devolverá parte em dinheiro e parte em imóveis.
"O investigado se dispôs a colaborar com a instrução processual confessando delitos por ele cometidos, no bojo das atividades da organização criminosa alvo das investigações revelando ilícitos que ainda não eram de conhecimento dos orgãos de persecução penal", afirmou o ministro Luiz Fux, no termo.
Bastidores
As suspeitas de que Nadaf era delator da Operação Sodoma, que investiga crimes de corrupção no Estado, correm nos bastidores desde o ano passado. O próprio Nadaf afirmou que chegou a ser ameaçado na prisão pelo ex-assessor de Silval Barbosa, Sílvio Araújo, em razão da desconfiança da suposta colaboração.
Algumas viagens feitas por Nadaf a Brasília também reforçaram a tese. Outra suspeita surgiu após a deflagração da 5ª fase da Sodoma, neste ano, uma vez que, na decisão, a juíza Selma Arruda classificou Nadaf como “colaborador”, termo que só é usado para investigados que firmam acordos de colaboração premiada.