Beneficiados pela JBS, Fagundes e Galli investigam empresa em CPMI
Além deles, outros dois parlamentares também compõem a comissão
Beneficiados pelo grupo JBS com doações na campanha eleitoral de 2014, o senador Wellington Fagundes (PR) e o deputado federal Victório Galli (PSC) agora fazem parte da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades cometidas em negociações feitas entre a holding J&F e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Em maio, Fagundes e Galli são, respectivamente os políticos mato-grossenses que mais e menos receberam doações dos irmãos Joesley e Wesley Batista, presos nesta semana por uso indevido de informações privilegiadas para fazer transações no mercado financeiro.
De acordo com a delação premiada do executivo do grupo J&F Ricardo Saud, também preso por crimes financeiros, as doações a políticos eram propinas disfarçadas, uma forma encontrada pela empresa para obter apoio do Legislativo quando fosse necessário.
Na época, o senador Wellington Fagundes recebeu cinco doações que totalizaram R$ 1,85 milhão, sendo duas da marca Seara - uma de R$ 200 mil e outra de R$ 250 mil. Outras três doações chegaram por meio da JBS S/A, sendo duas de R$ 500 mil e uma de R$ 400 mil. Todos os pagamentos ocorreram em cheques, mediados pelo diretório nacional do Partido Republicano (PR).
O deputado federal Victório Galli, por sua vez, recebeu R$ 30 mil em doações da JBS S/A, intermediadas pelo diretório estadual do partido.
Além de Galli e Fagundes, outros dois parlamentares também compõem a CPMI da JBS. São eles o senador Cidinho Santos (PR), que compõe o bloco moderador juntamente com Wellington, ambos como titulares e o senador José Medeiros (Podemos) como suplente do bloco parlamentar democracia progressista. Victório Galli é titular na ala da Câmara dos Deputados.
Conforme informações da Câmara Federal, desde sua criação, já foram apresentados à CPMI mais de 130 requerimentos de audiências, como a convocação de Joesley e Wesley Batista e Ricardo Saud. Outros pedidos citam os ex-presidentes Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (ambos PT), dos ex-ministros José Eduardo Cardozo e Guido Mantega, do ex-presidente da Câmara de Deputados Eduardo cunha (PMDB) e do ex-procurador da República Marcelo Miller.
O grupo J&F, dirigido pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, controla o frigorífico JBS e outras companhias. A CPMI vai apurar as operações da holding com o BNDES ocorridas entre os anos de 2007 e 2016. A comissão de deputados e senadores investigará também o acordo de colaboração premiada do Ministério Público Federal com executivos das empresas.