Autoridades alertam para o risco da poliomielite
O risco de a doença retornar é grande por causa da resistência de pais e mães em vacinarem os filhos
Das 27 unidades federadas, apenas Rondônia, Espírito Santo e Distrito Federal estão fora do elevado risco de volta da poliomielite, doença que há 28 não é registrada no país. Tal situação coloca Mato Grosso na lista dos Estados com possibilidade de reintrodução da pólio. Há uma semana, a Secretaria de Estado de Saúde (Ses/MT) informou que dois casos de sarampo são investigados em Guarantã do Norte.
De acordo com informações da Agência Brasil, a luz vermelha foi acendida pelo Ministério da Saúde (MS) no último fim de semana. A ameaça, segundo o ministério, existe em todos os locais com coberturas abaixo de 95%, mas está mais crítica em 312 municípios brasileiros.
O risco de a doença retornar é grande por causa da resistência de pais e mães em vacinarem os filhos. Em 2017, pelo menos 800 mil crianças estavam sem o esquema completo de vacinação, o que compreende três doses do imunizante. A preocupação ganha corpo sobretudo em um momento em que voltou a ser discutida a entrada do poliovírus derivado. Na Venezuela, autoridades sanitárias cogitaram a possibilidade de que uma menina teria sido contaminada por essa mutação do vírus.
Há 28 anos o país não registra casos da poliomielite. Há uma semana, para diminuir os riscos de reintrodução do vírus na região das Américas de doenças já eliminadas, como sarampo, rubéola e poliomielite, os estados do Mercosul assinaram três acordos para aumentar as ações de saúde e vigilância, incluindo ações na fronteira e voltadas a situação atual dos migrantes. O compromisso foi assinado pelo ministro da Saúde do Brasil, Gilberto Occhi, e os representantes dos outros quatro países do bloco – Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile – durante a 42ª Reunião Ordinária de Ministros de Saúde do Mercosul.
Um dos principais compromissos é que os países trabalhem para alcançar e manter cobertura vacinal contra poliomielite superior a 95%, fortalecendo a vigilância epidemiológica e atualizando os planos de resposta a surtos da doença. Em 1994, o país recebeu, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a certificação de área livre de circulação do poliovírus selvagem.
A poliomielite é causada por um vírus que vive no intestino, o poliovírus. Geralmente, a doença atinge crianças com menos de 4 anos, mas também pode contaminar adultos. A maior parte das infecções apresenta poucos sintomas e há semelhanças com as infecções respiratórias com febre e dor de garganta, além das gastrointestinais, náusea, vômito e prisão de ventre.
Aproximadamente 1% dos infectados pelo vírus pode desenvolver a forma paralítica da doença, que pode causar sequelas permanentes, insuficiência respiratória e, em alguns casos, levar à morte. A transmissão pode ocorrer de uma pessoa para outra por meio de saliva e fezes, assim como água e alimentos contaminados. No entanto, a doença deve ser prevenida por meio da vacinação.
A vacina é aplicada e pode ser encontrado o ano todo nos postos da rede pública de saúde. Há ainda as campanhas nacionais. A vacina contra a poliomielite oral trivalente deve ser administrada aos 2, 4 e 6 meses de vida. O primeiro reforço é feito aos 15 meses e o outro entre 4 e 6 anos de idade. A próxima campanha nacional de prevenção contra a pólio e outras doenças está prevista para agosto próximo.
SARAMPO
Desde 1999, Mato Grosso não registrava a ocorrência de sarampo no território mato-grossense. Agora, a Ses/MT investiga os casos para saber se os pacientes contraíram o vírus no próprio território mato-grossense ou em estados vizinhos, como Amazonas e Roraima que já registraram centenas de casos do agravo.
As notificações envolvem uma mulher de 30 anos e um homem de 31 anos. Por conta disso, o órgão estadual solicitou o bloqueio vacinal em Guarantã do Norte e alertou para que se intensifique a vacinação da tríplice viral, que protege contra a doença, além da caxumba e rubéola.
O mesmo alerta foi enviado para os 16 escritórios regionais de saúde (ERS) do Estado. O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, podendo evoluir com complicações graves e óbitos. A doença é transmitida por meio das secreções expelidas pelo doente ao falar, tossir e espirrar. A vacina tríplice viral é a medida de prevenção mais segura e eficaz contra o sarampo, protegendo também contra a rubéola e a caxumba.